segunda-feira, 2 de março de 2015

PROJETO PAN-AFRICANO CONCENTRA-SE NO POTENCIAL DO COMÉRCIO DE PEIXE COMO FORMA DE MELHORAR A NUTRIÇÃO E OS RENDIMENTOS

O continente produz 9,9 milhões de toneladas de peixe por ano, mas a sua quota no comércio global deste bem essencial é de apenas 4,9%

NAIROBI, Kenya, March 2, 2015/ -- Com vista a reforçar o enorme potencial para o aumento do comércio de peixe no continente foi criado um novo projeto pan-africano. Apesar de África beneficiar de uma grande abundância de recursos de pesca nos oceanos, rios, lagos, planícies aluviais e unidades de aquacultura, o continente representa apenas 4,9% do comércio de peixe a nível mundial. Melhorar a eficiência do comércio poderia melhorar os rendimentos e a nutrição de milhões de pessoas em África, especialmente dos 12,3 milhões de pessoas que trabalham diretamente nos setores da pesca e da aquacultura.

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O comércio é limitado pela falta de infraestruturas a nível dos mercados e do comércio e pela fraca implementação das políticas. Os elevados custos do transporte, as regras comerciais complexas e descoordenadas e a falta de informação sobre os mercados também impedem que África otimize os benefícios sociais e económicos disponíveis.

O “FishTrade for a Better Future” (Comércio de peixe por um futuro melhor) (http://www.worldfishcenter.org/content/fish-trade-better-future-program-brochure), um projeto fundado pela Comissão Europeia (http://ec.europa.eu/index_en.htm) e implementado pela WorldFish (http://www.worldfishcenter.org), pela Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD) (http://www.nepad.org) e pelo Bureau Interafricano para Recursos Animais da União Africana (UA-BIRA) (http://www.au-ibar.org) pretende reforçar as cadeias de valor, concentrando-se na sustentabilidade, e melhorar o acesso aos mercados intrarregionais de modo a conseguir melhorar a segurança alimentar e nutricional e os rendimentos na África Subsariana.

Stephen J. Hall, Diretor-geral da WorldFish afirmou: “África tem potencial para desenvolver as suas zonas de pesca e a aquacultura de modo a poder desempenhar um papel muito mais relevante na promoção da segurança alimentar, para gerar meios de subsistência e apoiar o crescimento económico. O consumo per capita diminuiu, apesar da grande abundância de recursos aquáticos de África. O FishTrade vai criar as bases para um crescimento mais sólido, produtivo e sustentável deste excelente e abundante recurso em todo o continente.”

Hamady Diop, Gestor de Programa de Pescas e Aquacultura na NEPAD: “O crescimento da aquacultura tem acelerado nestes últimos anos. Com o FishTrade será possível aprender com os sucessos e fracassos do passado e os governos terão acesso às informações certas necessárias para criar os incentivos e as infraestruturas de que os investidores precisam para satisfazer a procura local e entrar nos mercados de exportação de valor acrescentado.”

Steve Wathome, Gestor de Programa na Delegação de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia, União Europeia, no Quénia: “A UE está confiante de que o programa dedicado ao comércio do peixe irá contribuir de forma significativa para o setor das pescas em África. O comércio foi identificado como um dos maiores obstáculos para o crescimento do setor das pescas em África, tendo como principais desafios o comércio dentro do continente africano e o acesso aos mercados globais.”

Prof. Ahmed El Sawalhy Diretor do AU-IBAR: “O comércio desempenha um papel fundamental na indústria das pescas enquanto criador de emprego, fornecedor de alimentos, gerador de rendimentos e contribuidor para o crescimento e desenvolvimento económico em vários países africanos. O comércio doméstico e intrarregional de peixe (de águas marítimas e interiores) é muito importante devido ao seu grande potencial para aumentar a integração regional e melhorar a segurança alimentar e nutricional. Contudo, muitos Estados Membros da UA ainda enfrentam vários constrangimentos no melhoramento do comércio de peixe e do setor do marketing. Este projeto vai possibilitar a coordenação de políticas a nível continental e abrir o comércio de peixe, o que acreditamos terá um enorme impacto na redução da pobreza em algumas das nossas regiões mais pobres.”

O FishTrade vai trabalhar com quatro “corredores” para gerar informações sobre a estrutura, os produtos e o valor do comércio de peixe intrarregional e o seu contributo para a segurança alimentar na África Subsariana. Serão preparadas recomendações sobre políticas, diretrizes de certificação do pescado e normas de qualidade e segurança, assim como regulamentos. A segunda fase irá focar-se em reforçar as competências comerciais das associações do setor privado, especialmente das mulheres responsáveis pela transformação e pelo comércio do peixe e de todos os aquicultores, para que aprendam a aproveitar melhor as crescentes oportunidades comerciais através de empreendimentos de pequena e média escala.

Por último, o Fish Trade for a Better Future irá apoiar a adoção e implementação de políticas adequadas, procedimentos de certificação do pescado, normas e regulamentos por parte dos principais intervenientes no comércio intrarregional.

O programa vai equipar os governos com as competências necessárias para implementar o Quadro Pan-africano de Política e Estratégia para a Reforma do Setor Africano das Pescas e da Aquacultura da União Africana. Além disso, foi concebido para apoiar o trabalho de governos com vista à implementação da Declaração de Malabo sobre a Aceleração do Crescimento e Transformação da Agricultura para a Prosperidade Comum e Melhoria dos Meios de Subsistência (http://www.au.int/en/content/malabo-26-27-june-2014-decisions-declarations-and-resolution-assembly-union-twenty-third-ord).

Factos sobre o FishTrade:
         
•         O peixe contém micronutrientes importantes e ácidos gordos ômega 3, que são especialmente importantes em África, onde uma em cada três crianças sofrem de atraso no crescimento devido à má nutrição (http://www.who.int/nutgrowthdb/publications/stunting1990_2020/en/). (Quase 40%)

•         O peixe representa um pouco mais de metade (http://pubs.worldfishcenter.org/Naga/na_2351.pdf) do consumo de proteína na África Subsariana, mas o consumo de peixe per capita estagnou e está agora a níveis que são menos de metade da média mundial (http://www.africaprogresspanel.org/wp-content/uploads/2014/05/APP_APR2014_24june.pdf). (NOTA – O texto da ligação indica que o peixe representa 22% do consumo de proteína na África Subsariana, não 50%)

•         O continente produz 9,9 milhões de toneladas de peixe por ano, mas a sua quota no comércio global deste bem essencial é de apenas 4,9% (http://www.infopesca.org/sites/default/files/complemento/actividadesrecientes/adjuntos/1221/Future%20role%20of%20seafood%20in%20global%20food%20security.pdf).

•         Em 2011, África tornou-se um importador líquido de peixe.

•         Das 9,9 milhões de toneladas de peixe produzidas em 2010, um terço teve origem em zonas de pesca do interior e 1,49 milhões de toneladas em aquacultura (criação de peixes) (http://www.theguardian.com/global-development-professionals-network/2013/jun/05/aquaculture-africa-fishing-crisis-marine). (NOTA: 1,28 milhões de toneladas)

•         Em 2011, o valor do comércio de peixe pan-africano era de 24 mil milhões de dólares americanos (http://www.fao.org/3/d1eaa9a1-5a71-4e42-86c0-f2111f07de16/i3720e.pdf), o equivalente a 1,25% do produto interno bruto de todos os países africanos.

•         O setor das pescas em África emprega 12,3 milhões de pessoas (http://www.fao.org/fishery/nems/40619/en), o que representa 2% da população africana entre os 15 e os 64 anos, destas pessoas 27% são mulheres.

•         Estima-se que o custo da pesca ilegal e não regulada em África seja superior a 1 bilião de dólares americanos por ano (http://theguardianmobile.com/readNewsItem1.php?nid=26178).

Distribuído pela APO (African Press Organization) em nome da WorldFish.


Para mais informações ou solicitar uma entrevista:

Contacto: Toby Johnson, Gestor Sénior de Relações com os Meios de Comunicação Social
Telemóvel: +60 (0) 175 124 606
E-mail: t.johnson@cgiar.org
Internet: worldfishcenter.org
Fotografia: flickr.com/photos/theworldfishcenter/

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