domingo, 14 de Setembro de 2014

40 ANOS DEPOIS - UMA VISÃO PARA O PAÍS



                                                   Conferência Intitulada:
“Visão histórica  do reconhecimento de facto da República da Guiné-Bissau pelo Estado português – 40 anos - Protagonistas e elementos para análise”.
Quarta Feira, dia 10 de Setembro de 2014
Local: Fundação Mário Soares
Horário: Das 14:30 e terminará as 18 H
Oradores:
-Prof. Doutor Eduardo Costa Dias
-Coronel Carlos de Matos Gomes
-Embaixador Mário Cabral
A moderação da conferência ficará a cargo do Exmo Senhor Dr. Eduardo Monteiro
Sempre dissemos que estamos prontos, a qualquer momento para negociarmos.
Compete aos portugueses dizerem alguma coisa.  Como falamos a mesma língua, não é difícil entendermo-nos!
Amilcar Cabral




PATCHE DI RIMA EM ACÇÃO


TESE ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO

 No dia em que se assinala o feriado do nascimento de Amílcar Cabral, "pai" da nacionalidade guineense

Teaser vídeo marca início da contagem decrescente 
para inauguração da central híbrida do projeto 
"Bambadinca Sta Claro"

Promovido pela TESE Sem Fronteiras, o projeto vai fazer chegar energia moderna 
a 6.500 habitantes de Bambadinca, na Guiné-Bissau



Conheça o teaser




Materiais de apoio em anexo:

- PR_Teaser-BAMBA;
- Logótipo projeto "Bambadinca Sta Claro";- Logótipo TESE.

sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

POR ONDE ANDAM OS EX-HOMENS FORTES DA TRANSIÇÃO ? ONDE ESTÁ O PRESIDENTE EL HADJI MANUEL SERIFO NHAMADJO, O PM RUI DUARTE DE BARROS EO CARISSIMO DRº FERNANDO VAZ

Não é que tinhamos saudades mas é apenas para matar a curiosidade. POR FAVOR
DÊEM SINAL DE VIDA. Hehehehehe!!!

UNIÃO EUROPEIA E UNICEF APOIAM A PROMOÇÃO E A PROTECÇÃO DOS DIREITOS DAS MENINASE MULHERES NA GUINÉ-BISSAU

A Delegação da União Europeia junto da República da Guiné-Bissau e o Fundo das Nações Unidas para a
Infância (UNICEF) assinalam o arranque do Ateliê de validação o Plano Integrado de Comunicação (PIC) do
Projecto para a promoção dos direitos das meninas e das mulheres, que terá lugar no Auditório do Hotel
Coimbra, em Bissau, durante dois dias a partir das 9 horas de 8 de Setembro de 2014.
Esse projecto, que terá ainda uma duração de 17 meses, conta com um orçamento de cerca de 224 Milhões
de francos CFA, co-financiado pela União Europeia com 197 Milhões e pelo UNICEF com 27 Milhões.
O UNICEF desenvolve também o papel de entidade implementadora, em parceria com as Organizações Não
Governamentais guineenses Associação dos Amigos da Criança, e Observatório dos Direitos Humanos,
Democracia e a Cidadania.
O projecto visa contribuir para o reforço de um quadro jurídico, institucional e sociocomunitário protector
dos direitos das mulheres e das meninas nas regiões de Bafatá, Gabú, Oio e Bolama-Bijagós, fortalecendo as
capacidades de intervenção dos diferentes actores no terreno, assim como as respostas das próprias
comunidades para prevenirem todo o tipo de violência contra as meninas e as mulheres.
O PIC tem por objectivo principal o incremento das competências dos meios de comunicação e das
autoridades locais no âmbito dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres e das meninas, para uma
promoção dos mesmos de forma adequada e eficaz.
O plano foi desenvolvido com base nos dados resultantes da investigação efectuada pelo estudo CAP 2013
(Conhecimento, Atitudes e Práticas) sobre os direitos das mulheres e das meninas nas quatro regiões-alvo,
assim como nos trabalhos desenvolvidos com os órgãos da comunicação social e com as comunidades locais.
A implementação do PIC abrangerá a Guiné-Bissau na íntegra e utilizará órgãos da comunicação, como as
rádios e a televisão, para obter uma cobertura ampla. A nível regional, realizará acções específicas de
sensibilização junto das comunidades locais, de forma a reforçar concretamente as actividades de prevenção e
resposta às situações de violência contra as meninas e mulheres.

PATCHE DI RIMA DIA 6 DE SETEMBRO EM LONDRES

Meus caros, por motivo de forca maior, vimos pelo mesmo informar que o grande concerto do menino de ouro da Guine-Bissau nao se realizara no local inicialmente anunciado! em nome de toda equipa deste projecto pedimos imensas desculpas pelo imprevisto...
A melhor forma de superar imprevistos é encarar de frente e surpreender a si mesmo... "O PATCHE DI RIMA" NO SHELTER CLUB 267 KINGSLAND ROAD LONDON, E2 8AD. Capacidade para 300 pessoas, aberto das 10h as 5h da manha. os bilhetes ja estao a venda, contacto; Gilmar 07450819113 Nelo cruz 07440701240.

SITUAÇÃO DOS ESTUDANTES GUINEENSES EM CUBA

Em nome de todos os estudantes Guineenses recém graduados em diferentes especialidades em Tecnología da Saúde em Cuba, viemos por este meio a informar ao governo sobre a nossa situação de regreso a Guiné-Bissau, é o seguinte:
Os recém graduados no total de 18 estudantes levam mais de 2 meses sem ter posibilidade de regresar ao pais natal e enfrentam grandes dificuldades devido que a embaxada Guineense em Cuba é incapaz de resolver a nossa situação onde o Sr. Embaxador Abel Coelho Mendonça nunca se presenta no local de serviço, a maioria dos familiares resolveram comprar as passagens que resulta um outro problema de visto com a embaxada de Espanha em Cuba,neste sentido pedimos ajuda do governo da Guiné-Bissau especialmente do Ministério dos Negocios Extrangeiros que faça o possivel necessario.


1-Abimite Tomé Cá --------------------- Lic. Imaginología e Radiofísica Médica
2-Augusto Dionisio Sousa Almeida---Lic. Engenheiria Clínica (Electromedicina)
3-Babagale Camará----------------------Lic. Administração de Saude
4-Bimtchoga Cabi------------------------Lic. Nutrição
5-Bruno Manuel Mesa D’Almeida----Lic.Prótese Estomatológica
6-Elisangela Alfredo Da Silva----------Lic. Nutrição
7-Elizaida Correia------------------------Lic. Bioanálise Clínico
8-Floriano Omar-------------------------Lic. Administração de Saúde
9-Indira Justina dos Santos Néves---Lic. Gestão de Informação da Saúde
10-Leticia Caempa----------------------Lic. Prótese Estomatologica
11-Luciclí Sousa Cordeiro-------------Lic. Higiéne e Hepidemología
12-Québa Embaló----------------------Lic. Imagenología e Radiofísica Médica
13-Rasula Mariama do Carmo Sissé—Lic. Imagenología e Radiofísica Médica
14-Serifo Adulai Bá---------------------Lic. Engenheiria Clínica(Electromedicina)
15-Silénio
16-Suaila Mendonça------------------Medicina
17-Sundiata Iaia Seidi-----------------Lic. Bioanálise Clínico
18-Usumane Djáu----------------------Lic. Bioanálise Clínico


Responsavel: Graduados Guineeenses em Cuba.


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      Baldé Amadú
                Estudiante  Ingeniería Informática
                      Universidad  Pinar del Rio
         Calle Martí Final  # 270, Frente Hotel Pinar
                            Pinar del Rio,Cuba
                 Edificio 6B, 2da planta, Habitación 1
                      Celular  +53  53804383
                   amadu.balde21@gmail.com
 

GUINE-BISSAU LEVA 17 PROJECTOS PARA UMA GRANDE CIMEIRA NO DUBAI

VEJA AQUI

DHL AUMENTOU A SUA PRESENÇA EM AFRICA

DHL adota abordagem inovadora para aumentar a presença no comércio a retalho em 1000% na África Subsariana

CAPE-TOWN, South-Africa, September 4, 2014/ -- Mantendo-se fiel à sua reputação de rapidez, paixão, trabalho de equipa e atitude positiva, a DHL Express (http://www.dpdhl.com) aumentou a sua presença no comércio a retalho na África Subsariana em uns surpreendentes 1000% em menos de três anos.

Logo: http://www.photos.apo-opa.com/plog-content/images/apo/logos/dhl_logo2.jpg

Photo Sumesh Rahavendra: http://www.photos.apo-opa.com/plog-content/images/apo/photos/sumesh_rahavendra.jpg (Sumesh Rahavendra, Diretor de marketing da DHL Express, secção de África Subsariana)

No que se poderá tornar um caso de estudo numa escola de administração de empresas, o número de pontos de serviço da empresa aumentou de 300 para mais de 3300. Em vez de construir as suas próprias filiais, a DHL fez antes parcerias com proprietários de negócios locais que atuam como seus revendedores. Milhares de pontos de venda – tais como uma loja de produtos eletrónicos na África Ocidental, uma agência de viagens na África Oriental e uma pequena mercearia na África do Sul – agora permitem que os seus clientes façam expedições através da DHL ao mesmo tempo que prestam os seus serviços habituais.

Estas pequenas empresas beneficiam de uma comissão em todas as vendas DHL, de um aumento no número de clientes e de estarem associadas a uma marca global.

“É realmente uma abordagem que beneficia todas as partes. Demos aos proprietários destas pequenas lojas uma oportunidade de negócio única para aumentar as receitas e ganhar credibilidade ao aliarem-se a uma marca internacional. O sucesso deles é o nosso sucesso.” explica Sumesh Rahavendra, Diretor de marketing da DHL Express, secção de África Subsariana.

A empresa está disposta a fazer parceria com qualquer negócio empreendedor que reconheça o valor de se tornar um revendedor da DHL. Todos os parceiros recebem um kit completo da marca e submetem-se a um programa de formação exaustivo para assegurar a conformidade com os requisitos e os procedimentos da DHL.

A DHL também formou parcerias semelhantes com empresas de maiores dimensões, tais como operadoras de redes móveis, centros de comércio a retalho, supermercados e revendedores de combustível.

Formar parcerias com postos de venda existentes não só é mais rentável do que construir as suas próprias filiais, como também aproxima a DHL dos seus clientes. Um empresário no Gana pode enviar uma amostra para um cliente nos EUA a partir do mesmo local onde compra o jornal diário, ao passo que uma mãe nas Maurícias pode agora enviar um presente de aniversário ao filho na França, enquanto abastece o carro num posto de combustível.

A DHL também simplificou as suas opções de preços e de embalagens para se adequar às necessidades dos seus clientes, e não o inverso. Para dar a conhecer às pessoas a sua oferta para o comércio a retalho, as ruas de África são frequentemente pintadas de amarelo e vermelho em campanhas de publicidade estratégicas que envolvem dança, canto e brindes especiais DHL.

“Através do forte entusiasmo e da energia dos nossos 4000 funcionários em toda a África Subsariana, alterámos a perceção de que a DHL apenas serve as necessidades de multinacionais e grandes negócios. Os nossos clientes do comércio a retalho já não precisam de perder tempo no trânsito para poder enviar um documento ou uma encomenda, eles podem facilmente encontrar um ponto de serviço DHL ao virar da esquina”, diz Rahavendra. “Algo que talvez seja ainda mais gratificante é o facto de estarmos a dar aos proprietários de negócios e aspirantes a empresários em toda a África uma oportunidade adicional para ganharem dinheiro e viverem melhor.”

Rahavendra conta a história de uma revendedora da DHL no Quénia, cuja loja de acessórios para telemóveis está localizada mesmo em frente a uma loja detida pela empresa DHL. Quando lhe perguntaram porque, na sua opinião, os clientes prefeririam fazer as expedições na sua loja em vez de se dirigirem à loja especializada da DHL, ela disse que uma pessoa comum identifica-se melhor com a loja dela, tendo a perceção de que os preços são mais acessíveis e é menos formal do que a loja do outro lado da rua.

“Num continente como África, onde a economia informal domina, a estratégia para o comércio a retalho de uma empresa não se pode limitar a centros comerciais sofisticados”, acrescenta Rahavendra. “É preciso operar a um nível em que os clientes possam entender, sentir e relacionar-se com o produto. É realmente necessário assegurar que a marca estabelece uma ligação com as pessoas comuns” conclui Rahavendra.

Distribuído pela APO (African Press Organization) em nome da Deutsche Post DHL.


Contacto para meios de comunicação social:
Megan Collinicos. Diretora: Publicidade e Relações Públicas, África Subsariana
DHL Express
Tel.: +27 21 409 3613 Telemóvel: +27 76 411 8570
megan.collinicos@dhl.com

DHL – A empresa de logística para o mundo
A DHL (http://www.dpdhl.com) é a líder mundial de mercado na indústria logística e de CEP e “A empresa de logística para o mundo”. A DHL aplica os seus conhecimentos especializados sobre transporte expresso internacional, entrega de encomendas nacional e internacional, frete aéreo e marítimo, transporte rodoviário e ferroviário, bem como sobre soluções relacionadas com contratos e comércio eletrónico em toda a cadeia de abastecimento. Uma rede global composta por mais de 220 países e territórios e com cerca de 315.000 colaboradores em todo o mundo que disponibiliza aos consumidores a melhor qualidade de serviço e conhecimento local para satisfazer os seus requisitos da cadeia de abastecimento. A DHL aceita a sua responsabilidade social ao apoiar a proteção ambiental, a gestão de catástrofes e a educação.

A DHL faz parte do grupo Deutsche Post DHL. O grupo gerou receitas superiores a 55 bilhões de euros em 2013.

Para obter mais informações: www.dpdhl.com
Imagens de stock disponíveis em: http://www.dpdhl.com/en/media_relations/media_library.htm

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

«2ª PARTE» DE UMA GRANDE ENTREVISTA COM DR. JULIAO SOARES SOUSA: "VOCÊ, POR MAIS INTELIGENTE QUE SEJA, NÃO CONSEGUE CONVENCER NENHUM EMPRESÁRIO SÉRIO A INVESTIR NUM PAÍS ONDE NÃO HÁ ENERGIA ELÉCTRICA"

Historiador e investigador guineense, especialista em História Política da Guiné e de Cabo Verde, Prof. Doutor Julião Soares Sousa.

1-Conosaba: Atualmente, a influência da China em África é impressionante! A China está a fomentar profundos laços económicos, políticos e militares com a maioria dos 55 países da África, concorda? O que diz sobre abate de árvores (Pau de Sangue, transportado para China) de forma indiscriminada naGuiné-Bissau? 

Julião Soares Sousa: Sim, é verdade que a China é hoje um dos primeiros parceiros da África no seu processo de desenvolvimento. Tem os seus tentáculos em quase todos os países africanos e frequentemente encontramos funcionários chineses a trabalharem em diversos empreendimentos apoiados pela cooperação chinesa. Para entender essa presença chinesa em África seria necessário recuar até meados dos 50 do século passado ou examinar, sobretudo, a forma como se preparou ao longo de toda a década de 60 e 70 para chegar a situação confortável em que se encontra no nosso continente nos dias de hoje. Foi um trabalho paciente que merece ser destacado. Quando na primeira parte desta nossa entrevista referíamos à defesa dos interesses nacionais, o caso da China é paradigmático e pode servir de bom exemplo. Os países que não têm noção do que representam esses interesses nacionais não conseguem arregimentar forças para defender esses interesses. Porque não os reconhecem ou pura e simplesmente ignoram o que isso significa. Agora uma coisa é certa. Não há nada que nos obrigue, a conta do auxílio e da solidariedade que recebemos de qualquer país deste mundo, a devastar o nosso património natural, apenas por ganância e falta de carácter de alguns filhos da nossa terra. E aqui a culpa não é de ninguém, de nenhum país em particular. A culpa vai inteiramente para quem vende ou ordena a delapidação do nosso património público. A culpa só pode ser atribuída ao guineense ganancioso e que não olha a meios para atingir fins ilícitos. E quando mete dinheiro se for necessário até vendemos o que nos faz falta, deixamos de ser racionais. À custa desta cultura de irresponsabilidade no espaço de menos de 50 anos já perdemos uma importante mancha florestal do Oio e do Cantanhez. E estamos a falar de um país que se encontra numa zona crítica que já sofre a influência do Sahel. E com isso estamos a colocar em perigo o futuro do nosso país. É evidente que quando um país permite determinado tipo de abusos que partem dos seus próprios filhos acaba por pagar uma fatura elevada como nós estamos a pagar (e vamos continuar a pagar) nos próximos tempos. Também entristece muito ver o que se estava a passar em Varela. É evidente que tem havido um aproveitamento das nossas fragilidades como seres humanos e péssimos filhos da nossa terra. E mais! Sabem que nos podem comprar com dinheiro e outras benesses, o que não deixa de ser feio. Concordo inteiramente com as medidas que estão a ser tomadas pelas autoridades. Talvez os guineenses que se deixam comprar comecem a fletir na sua ação diabólica e devastadora. Temos de estar atentos e vigilantes na defesa do nosso património e do nosso país.

2-Conosaba: A União Africana (UA) foi fundada em 2002 e é a organização que sucedeu a Organização da Unidade Africana. Baseada no modelo da União Europeia (mas atualmente com atuação mais próxima à da Comunidade das Nações), ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento econômico na África, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio do programa Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD). Que tal da União Africana? Adotou novas estratégias para desenvolver a nossa África! É para confiar?

JS: Mal de nós se não confiássemos nas organizações que criamos. È claro que a OUA, desde a sua fundação, em Maio de 1963, passou por momentos conturbados. Não é fácil a uma organização do género funcionar no contexto em que emergiu como instituição charneira, que visava, entre outros objetivos utópicos e inalcançáveis para muitos naquele tempo, a unidade do continente. Mas devemos salientar ainda que esse contexto foi muito complexo. Havia países independentes, mas cuja independência foi negociada com as antigas potências colonizadoras sem necessidade de recurso à violência, e havia territórios, como era o caso de Angola, Moçambique e do nosso, que ainda se encontravam sob o jugo colonial e que tiveram que passar por uma longa e dolorosa guerra de libertação. Mesmo no quadro de países então independentes e dependentes havia grandes diferenças, fruto de diferentes tipos de colonização (colónias francesas, inglesas, portuguesas e espanholas) com tudo o que isso implicava em termos de diferentes tipos de mentalidades e especificidades. Isso fez com que ao longo de muito tempo a organização se ressentisse na hora de lograr consensos em determinadas matérias. Por isso mesmo a luta de libertação nas colónias portuguesas durou muitos anos por falta de solidariedade. Havia países que em lugar de defenderem os interesses dos territórios dependentes colocavam-se muitas vezes ao lado das potências colonizadoras. Foi também por isso (e por outras muitas razões) que a OUA nunca foi capaz de resolver verdadeiramente nenhum conflito em África. E houve muitos como sabe. Mas as coisas começaram a mudar em parte devido às profundas alterações que também se registaram nas últimas décadas no Mundo e em África. Creio que num futuro muito próximo a UA, sucedânea da OUA, será capaz de gerar mais consensos em várias matérias que interessam ao nosso continente. Só a criação doNEPAD e de outras instituições e a existência de consensos sobre o desenvolvimento africano devem constituir motivo para que todos os africanos se sintam hoje orgulhosos dessas transformações. A UA é uma organização que interessa a África e à paz mundial e deve, naturalmente, merecer todos os nossos incentivos para que continue a promover maior integração do continente de modo a acabar com a pobreza, a miséria e o sofrimento. Sente-se que cada vez mais a África está ganhar importância no plano internacional. Isso traz responsabilidades acrescidas à organização continental, mas também importantes desafios.

3-Conosaba: Frantz Fanon nasceu em 20 de Julho de 1925, em Forte-de-France, capital da colónia francesa de Martinica. Era negro e descendia de escravos deportados de África para Antilhas. Ele reivindicava para o Terceiro Mundo a possibilidade de se desenvolver independentemente das nações desenvolvidas (industrializadas), sejam elas capitalistas ou socialistas. É possível isso? Os países subdesenvolvidos se desenvolverem a conta própria? Como? 

JS: Como sabe, esta posição não é nova e ainda hoje é defendida por muitos intelectuais africanos e não africanos. Frantz Fanon, não foi propriamente um pensador qualquer. Empenhou-se denodadamente na libertação dos povos oprimidos, tendo influenciado decididamente muita gente da sua geração e ainda hoje recorrentemente regressamos às suas ideias e à leitura das suas obras mais emblemáticas que são sempre inspiradoras. Contudo, devemos contextualiza-las. É difícil, nos tempos que correm, a um país, a um continente desenvolver-se isolado dos restantes. Apesar de precisarem, no seu processo de desenvolvimento, de um impulso primordial que é o seu próprio esforço, a sua vontade interna, as suas próprias forças e sacrifício. São impulsos que ninguém de fora nos pode insuflar. Mas sabemos também que o Mundo se transformou num circuito fechado, numa aldeia global que, involuntariamente, gera solidariedades e, por (muitas) vezes, dependências. Por isso tenho dúvidas de que algum país se possa desenvolver contando ainda assim apenas com a sua vontade interna, isolado do resto do mundo e das nações mais industrializadas do globo. Os países africanos (e o nosso em particular) precisam de transferência de tecnologia. Precisam de melhorar as dinâmicas do funcionamento das instituições de ensino a vários níveis para que isso tenha reflexos imediatos e decisivos na formação de quadros e precisam sobretudo de reforçar os seus desempenhos macroeconómicos. E isso simplesmente é irrealizável isolado. 

4-Conosaba: É óbvio que estou a falar da escravatura! Os colonizadores e os Europeus devem pagar em dinheiro aos países africanos por escravidão? Neste caso, na sua opinião, Portugal deve pagar bem a Guiné-Bissau?

JS:Se assim fosse não seria possível quantificar esse grande equívoco da história. O que lhe quero dizer para responder a essa sua pergunta provocatória é que para além da liberdade e da própria vida nada é mais importante. Não há dinheiro que pague a redução a escravatura de um ser humano. A escravatura foi um erro crasso da história da humanidade como o foi também o holocausto, o genocídio no Ruanda, a mortandade que se tem experimentado em muitos países africanos (até mesmo no nosso). A escravatura teve consequências que todos conhecemos. O importante nesta altura é ensinar as pessoas a evitarem os erros cometidos no passado. Mas, já agora é preciso situar as coisas para que elas sejam inteligíveis aos que nos vão ler. É que naquele tempo da escravatura também não havia nenhum país que se chamava Guiné-Bissau. Estamos a falar de uma extensão territorial que na realidade se chamava “Guiné” ou que tinha várias outras designações (Etiópia Menor, Beled Al Abid, etc) e onde o nosso país atual se situa. Portanto, Portugal teria de pagar a quem? Acho que ninguém tem de pagar nada a ninguém. O importante é que esses fenómenos que envergonharam a humanidade não mais se repitam. Mas há mais! Sabe que em África, antes mesmo da chegada dos europeus, havia escravatura. Havia gente que vendia ou permutava os seus prisioneiros de guerra. Mas, além destas guerras que eram uma importante (provavelmente a primordial) fonte de escravos havia também a chamada escravatura doméstica. Havia, como dizia anteriormente, gente que era vendida e permutada porque cometeram “crimes” (adultério, roubos, furtos, etc.), mães ou pais que vendiam os próprios filhos. Chegaram-nos relatos desumanos. Portanto, a guerra não era o único e exclusivo meio de obtenção de escravos e gerador de lucros para mercadores africanos e europeus. A grande diferença que a escravatura europeia veio introduzir nisso tudo é a retirada das pessoas das suas regiões e do seu meio ambiente natural, com tudo o que isso implicou em termos de destruturação das famílias, violência física e psicológica, racismo puro, etc., etc. Sim, porque numa determinada fase da história da humanidade as pessoas eram sujeitas à escravatura porque eram negras. O que me perturba é que ainda hoje no nosso meio há seres humanos, nossos irmãos, a sofrer todo o tipo de vexames, de escravatura, que trabalham no duro para não auferirem nenhum salário condigno que lhes permita viver com alguma dignidade junto das suas famílias. Mas há muita gente que fica contente explorando os seus próprios irmãos ou permitindo que os seus irmãos sejam explorados. Há muito boa gente a dormir um sono profundo diante do sofrimento dos seus irmãos. Essa é que é a realidade. Agora pergunto. Foi para isso que nós conquistamos as independências? Vale a pena por vezes olharmos para o nosso próprio umbigo antes de apontarmos o dedo a outros. Nós hoje admitimos coisas na nossa terra que ninguém aceitaria na sua terra. Devemos olhar às vezes para dentro de modo a libertar-nos dos complexos e preconceitos quando se trata de defender os nossos interesses. Conquistamos a independência a custa de sacrifícios muito grandes, mas para deixar os nossos povos na miséria, na escravidão

5-Conosaba: O arquipélago de Cabo Verde constituía há séculos um dos mais importantes entrepostos do tráfico negreiros: indivíduos capturados nas enseadas dos rios e na costa da Guiné eram trazidos até ali para serem embarcados em condições miseráveis em direção à América e à Europa, onde faziam todo o tipo de serviços pesados e desprezíveis. Gente levada de África, nomeadamente da Guiné, foi colocada em Cabo Verde, como escrava. Os cabo-verdianos são nossos irmãos de sangue, concorda com essa afirmação? Como está hoje a relação Guiné e Cabo verde? 

JS: Bom, uma vez que insiste nesse ponto vamos primeiro esclarecer o seguinte. O fenómeno da escravatura foi muito complexo como dizia anteriormente. Provavelmente este não será até o lugar indicado para desenvolvermos melhor este tema. Todavia, é importante referir que quando as caravelas portuguesas chegaram ao rio Senegal (isso ocorre num contexto muito particular) uma série de conflitos assolavam não só os reinos do Senegal como também o próprio império do Mali em desagregação. Esses conflitos alimentaram o comércio de escravos para a península ibérica e depois para as américas. No fundo, a progressão das caravelas em direção ao sul do continente acompanharam em parte as guerras que aconteciam nos reinos e impérios do interior e da costa litorânea. Foi nesse contexto que Cabo Verde apareceu como repositório de escravos na sua rota para a Europa e para o chamado Novo MundoQuanto à pergunta se os cabo-verdianos são nossos irmãos eu sei que há ainda muita gente que torce o nariz quando se fala nisso, mas estão enganados. Acho que hoje ninguém tem dúvidas de que temos ligações históricas (desde a Bula Romanus Pontifex, do Papa Nicolau V, de1455) e consanguíneas também. Há muita gente em Cabo Verde que reconhece essa ligação com aÁfrica e especialmente com a Guiné. Da mesma forma que há muita gente na Guiné, por exemplo, que tem ligações consanguíneas com Cabo Verde. Mesmo muita gente. Uns sabem-no e outros nem por isso ou procuram ignorá-las. E vice-versa. Não houve só guineenses a irem para Cabo Verde. Também muitos cabo-verdianos vieram para a Guiné. Isso devia ser uma razão muito forte, gerador de outro tipo de ligações mais estreitas que tenho defendido para os dois países. O primeiro aliado da Guiné-Bissau emÁfrica e no Mundo deve ser Cabo Verde e o primeiro aliado de Cabo Verde em África e no Mundo dever ser a Guiné-Bissau, naturalmente. Ignorar isso é deturbar a realidade. São os únicos países que falam português e o crioulo no quadro da CEDEAO e nesse âmbito (e até noutros, do ponto de vista internacional) podem, apesar das suas naturais especificidades, concertar posições na defesa dos seus interesses essenciais. Estou em crer que a maturidade dos políticos cabo-verdianos e guineenses vai forçar certamente uma aliança de novo tipo em benefício dos dois povos. 

6-Conosaba: Se o Amílcar Cabral estivesse vivo...a Guiné-Bissau estaria hoje nesta situação? 
JS: É sempre muito difícil responder a perguntas desse género. A Guiné-Bissau já se tornou independente há 41 anos. Já teve tempo de se reencontrar com os caminhos do progresso e da elevação do nível de vida dos seus filhos. Penso que o que é mais relevante nesta altura é saber se seremos capazes de dar o salto em frente e corrigir. Todos os guineenses já se aperceberam que chegou a altura de virar a página. Amílcar Cabral cumpriu com a sua parte e deixou um legado que nunca soubemos aproveitarFalta-nos a nós cumprir com a nossa parte inspirando-nos no seu legado. Temos agora mais uma oportunidade soberana para corrigir de modo a que o nosso país recupere o prestígio que já teve no mundo.

7-Conosaba: O Amílcar Lopes Cabral nasceu ou não, na Guiné-Bissau (Bafatá)? A quem questiona a nascença dele no nosso solo. Isso tem alguma relevância, se nasceu, ou não na Guiné?

JS: Eu sei que há pessoas que colocam esta questão porque têm uma grande curiosidade de conhecer a história de vida de Amílcar Cabral. Mas também há outras que insistem muito nessa temática por causa de motivações políticas. Argumentam que o assunto teria implicações jurídicas. A verdade é que também não apresentam provas para defenderem os seus argumentos. Nós ainda temos a mania do “fulano tal disse isto ou ouvi isto”, etc. E ficamos por ali. Às vezes até por pura maldade. A única prova documental que existe e que não deixa dúvidas nenhumas é de que nasceu. Portanto, é com isso que devemos operar. Mesmo que não tivesse nascido, por acaso já ouviu algum cubano a questionar a naturalidade de Che Guevara? O regresso recorrente a este tema só revela uma coisa: continuamos irresistivelmente a gastar muita energia que devíamos concentrar na melhoria dos desempenhos do nosso país, a tornar o nosso país respeitado no Mundo, a lutar com todas as nossas forças para mudar o curso sinuoso da história do nosso país, que, como sabe, desde que se tornou independente, tem sido uma história recheada de fracassos a todos os níveis: golpes de estado, assassinatos, de crueldade inimagináveis, de ódios e de traições, de pobreza e de miséria. Por causa da nossa desmobilização e preocupações com assuntos acessórios (como este) temos assistido impávidos a muitos abusos na nossa terra por parte de gente que em circunstâncias normais não deveriam ter a oportunidade para abusarem da bondade dos nossos povos. Em 40 anos fomos capazes de anular tudo o que foi conquistado com sacrifício por Amílcar Cabral e todos os seus correligionários. O que lhe digo é que por causa de motivações políticas, pura maldade ou até por caprichos pessoais não se pode anular o valor das pessoas que, pelos seus atos e pelos sacrifícios que fizeram em prol de outros, deveriam merecer no mínimo o nosso respeito e admiração. 

8-Conosaba: Numa das declarações (recentes) do novo Presidente da República, pediu o regresso imediato dos guineenses na diáspora à terra natal! Baseando nestes pedidos do novo Presidente,pensa um dia voltar a sua terra para contribuir?

JS: Sabe, muita gente passa ao lado do sofrimento dos outros, mas há nesta altura muitos compatriotas a sofrerem em Portugal e na Europa com a crise, de modo que é sempre bom ouvir declarações dessas. Pelo menos você sente que não é órfão ou apátrida como, infelizmente, muitos guineenses realmente sentem. Se passear por alguns bairros nos arredores de Lisboa e contactar os compatriotas que lá vivem consegue entender e contextualizar o apelo. Infelizmente são declarações que você não houve com muita frequência, vinda dos nossos políticos. Muitos ainda não se convenceram que só de mãos dadas e espírito de corpo é que lograremos combater todas as adversidades e levantar bem alto o nome do nosso país. O pior inimigo do nosso país é aquele que não quer reconhecer esse facto … E digo-lhe com toda a franqueza: o primeiro político a assumir esse desígnio, como um desígnio nacional (porque, efetivamente, o é) será de facto um herói. É verdade que há muita gente lá dentro com capacidade para levar aquele país para diante. Mas estou convencido (aliás este é a convicção de muitos amigos da Guiné-Bissau) de que se houver uma estreita aliança entre os que estão fora e aqueles que estão lá dentro, sem complexos, seriamos capazes de definitivamente arrancar aquele país da situação em que se encontra. E não seríamos o primeiro exemplo em África. Veja o caso de Cabo Verde. Sabe como é que chegou a situação atual? Através da valorização dos seus recursos humanos. Da valorização daqueles que estão dentro e daqueles que estão fora. Mesmo fora, muitos quadros guineenses poderão, se forem convocados, colaborar na afirmação do nosso país. E por vezes o que faz falta é defender os seus interesses dos nossos concidadãos nos países em que se encontrar para que sejam de facto respeitados. E isso tem faltado.

9-Conosaba: O Estado guineense atravessa sérias dificuldades financeiros (com um grave deficit orçamental) que vão sendo resolvidos com base no crédito externo e na solidariedade internacional, certo? Até quando o nosso país vai continuar nesta situação? Será que o novo governo guineense vai colmatar de vez esta situação precária

JS: Sabe, já tenho dito isso noutras circunstâncias. A Guiné-Bissau chegou a ter uma dívida externa astronómica. Foram os governos de Carlos Gomes Júnior que lograram o perdão dessa dívida, porque se não estaríamos hoje numa situação muito desconcertante. O que choca é que muita dessa dívida contraída ao longo de décadas não trouxe nenhum progresso para o nosso país. Não se vêm escolas, estradas, os hospitais continuam na mesma miséria, os funcionários estatais continuam a trabalhar e a passar vários meses sem salários…. Já viu ao ponto em que o nosso país chegou?Devo dizer-lhe que se o país vai contrair mais dívida, deve fazê-lo com critério, mas para servir os interesses do país e das populações. Seria um erro gravíssimo repetir os erros do passado. E estou a falar muito seriamente. Além do mais, a aposta do país deve ser no sentido de gerar receitas internas para reduzir substancialmente a dependência exterior, que acaba por trazer outro tipo de dependências e até de outros condicionamentos da nossa ação interna e externa como país soberano. A Guiné deve procurar libertar-se dessa dependência orçamental e de outras muitas dependências. Há muita coisa que nós poderíamos produzir internamente e assim evitar o desperdício de divisas e os elevados deficits na balança comercial. E isso só se consegue promovendo a agricultura e não com a monocultura do caju, com seriedade no trabalho e uma vontade férrea na defesa dos interesses do nosso país e das nossas populações, que depois de décadas de elevados sacrifícios já merecem o Olimpo. 

10-Conosaba: Como é possível um país desenvolver sem eletricidade? 
JS: Simplesmente não é possível. Sabe, quando há várias décadas ouvia um professor meu da cadeira de História da Educação a falar da importância da energia no processo de desenvolvimento pensava que essa perspetiva era muito redutora. Mas a verdade é que é mesmo assim. É claro que a isso haveria que associar outros aspetos: água corrente e mão-de-obra qualificada, etc. É uma grande falácia pedir aos empresários para investirem num país que não tem condições para um sério investimento. Você, por mais inteligente que seja, não consegue convencer nenhum empresário sério a investir num país onde não há energia elétrica e também mão-de-obra qualificada. E no mundo em que vivemos em que há cada vez mais concorrência ou você está preparado ou então fica para trás. Se você calculasse o grande desperdício de anos em que as coisas não funcionaram por falta de energia elétrica você estaria aqui a fazer contas durante vários dias. É que no mundo de hoje atrofia tudo. Acha normal um país que conquistou a sua independência há 40 anos ter passado os mesmos 40 anos da sua existência sem energia elétrica? Eu não acho normal. Agora pergunte a um empresário sério o que é que acha? É demasiado tempo perdido, meu caro. Um país não é propriamente um brinquedo.Há muita gente que pensa que é mas não é. Nós, para sermos um país respeitado no mundo e com capacidade de atrair investimento exterior (o que é absolutamente indispensável e urgente para colmatar os elevados índices de desemprego, sobretudo entre a população jovem) devemos fazer bem o trabalho de casa. Devemos ser capazes de criar condições internas (boa rede de estradas e de acessos até com os países vizinhos e ter um importante nó rodoviário e até ferroviário) e externas para isso.Temos que ser capazes de formar bem os nossos quadros, desde o ensino primário até ao superior e ter energia elétrica. Deveríamos criar condições para que as nossas embaixadas no exterior tivessem um papel importantíssimo em promover a imagem do nosso país e mostrar que criamos condições para o investimento muito sério. Mas, não é só mostrar as nossas eventuais potencialidades internas. É preciso mostrar as vantagens que um investimento na Guiné-Bissau poderia ter em termos do acesso aos mercados dos países da CEDEAO, etc, etc. Esse é um trabalho que é urgente fazer. 

11-Conosaba: José Eduardo dos Santos foi eleito primeiro presidente do Fórum dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, cuja cimeira constitutiva decorreu em Luanda. Tem algum comentário a fazer?

JS: Sim, com certeza. Devo saudar a retoma do Fórum dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, que marcou de facto também o regresso da Guiné-Bissau aos grandes fóruns internacionais. Depois da independência formal das antigas colónias portuguesas de África, esses países já se reuniam para concertarem posições, na mesma linha da Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP), que foi um organismo constituído em 1961, ainda no quadro das lutas de libertação nacional, com o objetivo de coordenar as suas atividades político-revolucionárias contra o colonialismo português. Bom, é escusado dizer que devido a problemas internos que alguns desses países enfrentaram, durante muito tempo, na era pós-colonial, os encontros e as reuniões acabaram suspensos e só agora retomados. Uma das principais razões, a meu ver, para a retoma das reuniões dos PALOP, doravante FORPALOP, tem a ver com a situação presente desses países que estão a tentar a todo o custo o take-off e encontrar novas fórmulas de articulação das suas políticas, numa altura em que todos pertencem a múltiplas organizações regionais e internacionais. Acho que isso é saudável para esses países e vai certamente trazer uma nova dinâmica não só no quadro das relações multilaterais e bilaterais, mas também a nível da CPLP. A dinamização dos PALOP pode vir a provocar, inclusivamente, uma grande reestruturação da CPLP ou de conduzi-lo ao um novo patamar. Os países agrupados no FORPALOP vão ganhar mais força a nível das organizações regionais e internacionais e no quadro da CPLPPrevejo uma grande mudança a esse nível caso venham a optar pela concertação das suas posições a nível internacional e até a outros níveis: parcerias económicas e empresariais, etc, etc. Vamos esperar para ver, mas estou convencido de que o FORPALOP vai querer ocupar o lugar de importante ator na cena internacional. É agora um novo desafio que se coloca à própriaCPLP, onde certamente os países africanos reagrupados no Fórum vão certamente funcionar como um forte grupo de pressão. Tudo vai depender das vantagens políticas (e outras) que esses países quiserem subtrair desse Fórum.

 Fim


Feito por: Pate Cabral Djob

BAUXITE ANGOLA PRETENDE RETOMAR ACTIVIDADES NA GUINÉ-BISSAU

VEJA AQUI

domingo, 31 de Agosto de 2014

CAMPEONATO PORTUGUÊS: BENFICA X SPORTING JOGAM ESTA TARDE (18 horas de bissau)

OS TRABALHADORES DA CMB VÃO PARA A GREVE NOS DIAS 1, 2 E 3 DE SETEMBRO MOBILIZADOS PELO SINDICATO DE BASE DA CÂMARA MUCIPAL DE BISSAU.

O Sindicato de Base exige o pagamento de 3 meses de salários em atraso pela direção da edilidade camarária e melhoria de condições de trabalho.

O Serviço mínimo está sendo negociado com o patronato.

A verdade é que, uma greve na CMB nesta altura com ameaça do Vírus do Ébola é preocupante e ainda mais com a ausência do seu Presidente, António Artur Sanhá que está em missão de trabalho no estrangeiro (CHINA).

SETEMBRO VITORIOSO: RÁDIODIFUSÃO NACIONAL (RDN) ASSINALA 40 ANOS DA SUA CRIAÇÃO NO PRÓXIMO DIA 10 DE SETEMBRO.

A Comissão Organizadora leva a cabo nos dias 2 e 3 de Setembro um Workshop para refletir sobre o percurso da Radiodifusão Nacional, desde a sua criação até hoje e perspectivas para o futuro.

Encontro que terá lugar no salão de reuniões da UNTG e a cerimônia de abertura vai ser presidida pelo Ministro da Comunicação Social, Agnelo Regala.

Quatro temas importantes vão ser debatidos durante os dois dias de Workshop:

-- Tributos da Emissora Portuguesa da Guiné e a Rádio Libertação à Radiodifusão Nacional;

-- RDN na fase de Transição Política (1991-2000);

-- RDN face às Novas Tecnologias de Informação e,

-- Que RDN para o futuro?

sábado, 30 de Agosto de 2014

PROCESSO SELETIVO UNILAB/BRASIL



http://www.unilab.edu.br/noticias/2014/08/27/unilab-abre-processo-seletivo-para-estudantes-estrangeiros-3/

CAMPANHA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO MANCHADA DE LUTO EM BISSAU

Uma criança de 9 anos de idade que efetuava os trabalhos de limpeza na zona do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira foi esta manhã atropelada por uma viatura e morreu no local.


UNICEF E REDE DAS ASSOCIAÇÕES JUVENIS ALIAM-SE NA PROMOÇÃO DE HIGIENE E LIMPEZA EM BISSAU

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Rede das Associações Juvenis (RAJ) selaram hoje uma parceria visando a promoção de Boas Práticas de Higiene para a prevenção da Cólera e Ébola em 10 bairros e 14 mercados da capital/Bissau, beneficiando cerca de 5 mil famílias.

A iniciativa conta com colaboração da Câmara Municipal de Bissau e das Associações de Vendedores e Retalhistas dos mercados de Antula, Bandim, Caracol, Mercado Central, Quelele, Plack, Cabaceira, Pandjam, Pefine, Santa-Luzia, Cuntum, Bairro-Militar, Cundok e São-Paulo.

LUTA CONTRA A CÓLERA E ÉBOLA: AS AUTORIDADES GUINEENSES DERAM HOJE PONTA-PÉ DE SAÍDA A UMA SÉRIE DE CAMPANHA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO A NÍVEL NACIONAL COM VISTA A REDUZIR OS RISCOS DE INFECÇÃO E TRANSMISSÃO DO VÍRUS DO ÉBOLA E DE CÓLERA NO PAÍS.

Campanha lançada hoje em Bissau, pelo Presidente da República, José Mário Vaz, vai decorrer duas vezes por mês (primeiro e último sábado) e simultaneamente em todas as Regiões, Setores, Vilas e tabancas do país.

Presidente da Assembleia Nacional Popular, Primeiro-ministro, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e membros do governo, estão todos mobilizados para esta campanha Nacional de Limpeza e Desinfecção.

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

LUTA CONTRA O VÍRUS DO ÉBOLA: GOVERNO LANÇA CAMPANHA NACIONAL DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO PARA O DIA 30 DE AGOSTO, ESTE SÁBADO.

Uma campanha que decorrerá simultaneamente em todo o território nacional das 07H00 as 17H00 do dia 30 de Agosto corrente e, contará com a participação do Presidente da República, Primeiro-Ministro, membros do governo e deputados da nação.

Para reforçar esta iniciativa, ontem o Secretário de Estado do Ordenamento e Administração do Território reuniu-se em Bissau com os governadores regionais.

a iniciativa visa mobilizar todas as sensibilidades de uma forma conjunta a participarem na campanha de prevenção contra o Vírus do Ébola que está a abalar países da nossa costa africana, como é o caso da Guiné-Conakry, Serra-Leoa, Libéria, Nigéria e agora transpondo fronteiras, já atingiu a República Democrática do Congo.

Esta terça-feira, dia 26, nove cidadãos da Guiné-Conakry que chegaram a cidade de Gabú leste do país,  foram colocados em quarentena onde permanecerão durante 21 dias, período da encubação da doença. Medida nada mais que preventiva e, é assim mesmo que deve ser. FORÇA IRMÃOS, SÓ ASSIM PODEMOS EVITAR MAL MAIOR!!!!!

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

PATCHE DI RIMA ON SIKO MUSIC EUROPE TOUR

SIKO MUSIC TOUR IN EUROPE 

HAMBURG CITY DIA 30 DE AGOSTO KETEKE CLUB
LISBOA CITY DIA 31 DE AGOSTO  BELIMA CLUB
LONDON CITY DIA 6 DE SETEMBRO SWAAGA CLUB
PORTADOWN CITY DIA 20 DE SETEMBRO STREET CONCERT
PITERBOURG CITY DIA 27 DE SETEMBRO

CONTACTOS PARA SHOW 0033646166012/ 00351927821449

FUGA AO BLOQUEIO: UM CIDADÃO DA GUINÉ-CONACRY TERÁ CONSEGUIDO ESCAPAR AO BLOQUEIO IMPOSTO NAS FRONTEIRAS COM ESTE PAÍS VIZINHO. O CIDADÃO EM CAUSA CHEGOU À BISSAU ESTE SÁBADO E ESTÁ A MORAR NO BAIRRO DE RENO. A DENÚNCIA JUNTO AS AUTORIDADES DO PAÍS FOI DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DESTE BAIRRO DA CAPITAL GUINEENSE.

Em caso de emergência pode ligar de qualquer ponto do país e sem pagar nada as seguintes instituições, através dos seguintes números de telefone já disponíveis:

HOSPITAL NACIONAL SIMÃO MENDES:

-- 1919 (PARA NÚMEROS MTN)
-- 2020 (PARA NÚMEROS ORANGE)

BOMBEIROS HUMANITÁRIOS DE BISSAU

-- 1212 (PARA NÚMEROS MTN)
-- 1313 (PARA NÚMEROS ORANGE)

MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA

1414 (PARA NÚMEROS MTN)
1515 (PARA NÚMEROS ORANGE)

O NOVO REPRESENTANTE DAS N.U. NO PAÍS, O EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE SÃO-TOMÉ E PRINCIPE FOI RECEBIDO ESTA MANHÃ PELO PRESIDENTE DA ANP, CIPRIANO CASSAMÁ. MIGUEL TROVOADA JÁ TINHA ENCONTRADO COM O PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA SEMANA PASSADA.

REVIRAVOLTA: A ASSOCIAÇÃO DE PESCADORES DE BIOMBO SAIU EM DEFESA DO EX-MINISTRO DAS PESCAS E ATUAL TITULAR DA PASTA DOS NEGOCIOS ESTRANGEIROS - MÁRIO LOPES DA ROSA SOBRE O ALEGADO CASO DE DESVIO DE GERADOR E DUAS UNIDADES DE FABRICO DE GELO.

A reação surgiu no final da semana finda através de uma carta dirigida ao Ministro da Administração Interna, Botche Candé, onde a organização em causa inocenta claramente Mário Lopes da Rosa de qualquer ato que possa substanciar-se em desvio de coisas públicas. 

De acordo com a carta, foram os próprios membros da Associação que pediram o ex-Ministro das Pescas para guardar os equipamentos em causa. porque eles não tinham espaço em segurança para tal.

Situação que poderá levar a uma reviravolta do caso, já que, na conferência de imprensa convocada pelo Porta-voz do Ministério da Administração Interna, tudo levava a crer que se trata-se de mais um caso de desvio de coisas públicas por um membro do governo.

Samuel Fernandes teria mesmo sublinhado que este caso envergonha mais uma vez o país.

Na carta, a organização de pescadores de Biombo pediu uma audiência com o Ministro Botché Candé para explicar o que teria na verdade acontecido.

domingo, 24 de Agosto de 2014

PATCHE DI RIMA AO VIVO EM HAMBURGO 30 DE AGOSTO

NÃO PERCA!!!

GUINÉ-BISSAU O QUARTO MAIOR PRODUTOR MUNDIAL DE CAJÚ

VEJA AQUI

ABERTURA DE EMPRESA

Boa tarde, Gostaria de saber se possivel, como começar uma actividade empresarial em bissau.Ou onde se pode consultar essas informaçoes.

Relativamente a Custos de abertura do espaço, papelada necessária, impostos etc...

A area de intervençao seria a de consultoria informatica

Com os melhores Cumprimentos

Tchokanet

geral@tchokanet.com

domingo, 17 de Agosto de 2014

NALOAN COUTINHO SAMPA: NATURAL DA GUINE-BISSAU, CONSIDERADO O MELHOR ALUNO (Udesc Joinville) PELA SÉTIMA VEZ "NO BRASIL"

Estudante recebeu o Certificado de Mérito Acadêmico, do Ministério das Relações Exteriores, que premia estrangeiros que se destacam.


O estudante, Naloan Coutinho Sampa, 24 anos, do campus da Udesc em Joinville, recebeu pela sétima vez, o Certificado de Mérito Acadêmico, do Ministério das Relações Exteriores. O aluno apresentou as melhores notas do País entre os integrantes do Programa de Estudantes Convênio de Graduação (PEC-G) do governo federal.

Natural da República de Guiné-Bissau, na costa ocidental da África, Naloan estuda em Joinville desde 2008 e deve concluir os estudos ainda neste ano.

Além do excelente rendimento em sala de aula, o aluno da décima fase do curso de engenharia civil já atuou como voluntário no projeto de extensão de coleta seletiva e desde o segundo semestre de 2010 participa como bolsista de pesquisa do CNPq, na área de materiais. 

— Naloan é um exemplo a ser seguido, pelas dificuldades encontradas e pela perseverança em atingir os seus objetivos —, afirma a professora-chefe do departamento de engenharia civil, Sandra Denise Kruger Alves.

Filho de professora, Naloan tem mais 12 irmãos. Tímido, admite ter enfrentado dificuldades para se adaptar ao Brasil, mas aos poucos conquistou a admiração dos professores e companheiros de classe. 

— Fiz muitos amigos aqui e hoje me sinto em casa —, conta Naloan.

A Bolsa Mérito do Ministério das Relações Exteriores repassa auxílio financeiro no valor de R$ 622 por seis meses para os alunos do PEC-G. Além de Naloan, há outros cinco alunos estrangeiros estudando na Udesc Joinville, vindos do ParaguaiBolívia e Angola. Estes estudantes não concorrem com os candidatos ao vestibular, são selecionados pelo Ministério da Educação (MEC) e amparados pela norma que concede uma parcela de vagas aos estudantes de outros países conveniados.
 
 

sábado, 16 de Agosto de 2014

OPINIÃO: RECADOS FORTES DO DR. ABDUL CARIMO BALDÉ: "OS MONSTROS DA ÁFRICA"

Investigador 
Licenciado em Sociologia, com graduações em Sociologia Geral; Comunicação, Arte e Cultura; Desenvolvimento e Políticas Sociais; em fase de preparação para o Doutoramento em Estudos Africanos pelo Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto. 


O que fazer? Como fazer? Para que a África possa seguramente construir o seu desenvolvimento social e económico? 
Dois mil e dez, foi o ano comemorativo do cinquentenário da independência de muitos países da África Subsaariana. Tanto no continente africano como nas antigas metrópoles, como França e Bélgica, o clima geral foi de festas, lamentações e reflexões. 

Aproveitou-se para fazer um balanço crítico, não apenas para os dezassete países da África que obtiveram a sua independência em 1960, mas também para refletir sobre o quadro geral dos países africanos no que diz respeito aos objetivos do milénio para o desenvolvimento. Esses objetivos consistem em erradicar a miséria e a pobreza no continente, construir uma cultura de paz e fortalecer o processo democrático. Desenvolvimento, palavra-chave em torno da qual gravitam todas as questões, está no centro de todos os discursos e debates nos media. 

A primeira grande questão que todos colocam é: por que é que a África, em comparação com países da Ásia e da América do Sul, não tão distantes dela nos anos 1960 em termos de desenvolvimento (todos eram considerados países subdesenvolvidos), não conseguiu globalmente e de forma significativa levantar voo rumo ao desenvolvimento, apesar de suas imensas riquezas naturais e minerais e grande diversidade humana e cultural? 

A segunda questão, consequência da primeira, é: o que fazer? Como fazer? Para que a África possa seguramente construir o seu desenvolvimento social e económico? 

A resposta às duas questões tem em consideração a análise dos fatores do desenvolvimento e das dificuldades que o bloqueiam. Entre estas, relaciona-se notadamente os legados do tráfico de negros, da escravatura e da colonização; as dificuldades para a construção da democracia e da nacionalidade; os conflitos etnicopolíticos ou as guerras civis e sua violência; a má governação; a ausência de uma educação que liberta culturalmente, com enfoque nas necessidades e realidades africanas; a violação dos direitos humanos, a começar pelo direito à 

vida; a falta de investimentos em ciência e tecnologia, com aplicação na agricultura e na indústria de manufaturados; a falta de investimentos na saúde pública, começando pela produção de alimentos; a falta de instalações sanitárias e de água potável; a pandemia de SIDA, o paludismo, o Ébola e outras doenças curáveis que matam mais na África que em outros países desenvolvidos, por falta de infra-estrutura médica mínima; sem esquecer os neocolonialismos que persistem na figura dos organismos internacionais e multilaterais como o Banco Mundial, FMI, OMC, G8 etc. Diz-se, com certo exagero, que no Comboio em direção ao desenvolvimento, os africanos aparecem, geralmente, como simples viajantes, em vez de pilotos ou co-pilotos dos seus próprios destinos. 

A imagem afropessimista apresentada pela imprensa internacional visa, quase sempre, a África Subsaariana, mas os últimos acontecimentos sociopolíticos nos países da África do Norte, em especial nos três países do Magreb (Egito, Tunísia e Líbia), mostram que todo o continente africano vai mal em termos de construção dos regimes democráticos e, consequentemente, do seu desenvolvimento socioeconómico. Isso não quer dizer que faltam exemplos de crescimento económico significativo, apesar dos casos de regressão socioeconómica observada em outros países africanos depois da independência, exemplo da atual República Democrática do Congo. Mas, de modo geral, mesmo nos países que acusam taxas de crescimento económico positivamente surpreendentes, como a África do Sul (4% em 2005), Angola (23% em 2007), Moçambique (8% entre 2000 e 2006), ainda se observa: degradação da situação social (miséria, desemprego, mortalidade, HIV), aumento das desigualdades económicas entre as classes sociais e degradação e insuficiência das instalações sanitárias, de habitação e dos sistema de saúde, de transporte público e dos meios de comunicação em geral. 

Nos últimos catorze anos, isto é, do ano 2000 para cá, muitos tem sito escritores, jornalistas e estadistas em todo o mundo que vem oferecendo a seus leitores/ouvintes/espetadores, através de diversos artigos nos jornais, revistas cientificas da especialidade ou não, debates televisivos e radiofónicos, e criticamente, a gama de questões que emperram o processo de desenvolvimento no continente e os desafios para enfrentá-las. A leitura e releitura desses textos ajudarão também a entender e interpretar melhor os acontecimentos atuais que ameaçam os regimes políticos ditatoriais em vigência nos países do Magreb, todos caracterizados por falta de democracia e negação dos direitos humanos. Os textos e vídeos analisam com ênfase a situação dos países da África Subsaariana que, desde sua independência em 1960, não conseguem, em sua maioria, constituir-se como Estado e como Nação, por causa de conflitos étnicos e regionais, ou dirigentes ditatoriais que engendram golpes militares para levar outros grupos ao poder. 

As tentativas de eleições democráticas, desde 1990, são sempre acompanhadas de contestação e acusação de fraude, como aconteceu em Zimbábue, Guiné-Bissau, Quénia, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Guiné Conacri etc... Quando não reeleitos, dirigentes são, às vezes, substituídos por seus filhos (Togo, Gabão, República Democrática do Congo, entre outros), disfarçando o princípio básico da regra democrática que exige alternância no poder, que quando acontece, em raras exceções, é simples passagem do poder para as mãos da oposição, sem implicar necessariamente um novo projeto de transformação da sociedade. Além de deteriorar os ambientes eleitorais, os textos constitucionais fundamentais são manipulados ou mudados em função dos interesses dos que estão no poder, provocando certa identificação entre estes últimos e o Estado nacional. Má governação, corrupção, desvio de fundos públicos, nepotismo étnico e ganância são, entre outras, características dos poderes dos dirigentes africanos que deterioram os termos de uma gestão democrática. 

Onde está a riqueza dos textos e vídeos que têm sido publicados pelo mundo em diversos formatos, coloca à apreciação de seus leitores e espetadores? Além dos textos e videos de conteúdo sintético com análises históricas e estruturalistas que ajudam a entender os problemas comuns à África, os documentos apresentam textos e videos contextualizados no tempo e no espaço, com base nas experiências particulares de alguns países, para evitar generalizações abusivas capazes de mutilar a riqueza da diversidade continental. A África toda não é a mesma coisa, mas tem muitas semelhanças e experiências comuns que os textos fezem bem em ressaltar e respeitar. O leitor/ouvinte/teleespetador vai certamente, no decorrer dos vários artigos relacionados que existem, se deparar com a experiência de países que não lhe são totalmente estranhos, tais como África do SulAngolaBeninBurquina Faso,BurundiChadeCosta do MarfimGabãoGanaGuiné-Bissau, Guiné ConacriGuiné Equatorial,MaliMadagascar, Marrocos, Mauritânia, Moçambique, Níger, Nigéria, Quênia, República Democrática do Congo, Ruanda, Senegal, Sudão, Tunísia, Uganda, Zâmbia e Zimbábue. 

Como já foi dito anteriormente, certo número de artigos de carácter geral sintetizam aspectos e questões comuns a toda a África, tais como Educação, Saúde, Desenvolvimento, Violência, Geopolítica, Meio Ambiente, Comércio e Política Internacional, entre outros. Somadas, as duas abordagens, a generalista e a nominalista, ajudam os interessados no assunto a entender os desafios comuns de todo o continente para o milénio, por um lado, e as particularidades de alguns países analisados sob o prisma de algumas questões, por outro lado. 

De grosso modo, os problemas comuns à África são organizados em torno de três blocos que se articulam para caracterizar os desafios de toda a África em matéria de desenvolvimento. Que são: 1) Democracia, guerras civis, governação, violência e direitos humanos; 2) Saúde e medicina; 3) Desenvolvimento, ao qual se vinculam temas e questões que compõem outros itens. Sem esgotar a análise dos fatores e fatos que compõem a complexidade dos desafios da África, os documentos que podemos ter a oportunidade de ler, ver e ouvir nos media sobre os desafios que o continente enfrenta oferece ao leitor/ouvinte/espetador que não tem familiaridade com o continente algumas balizas que ajudam a sair do lugar-comum e a evitar análises preconceituosas que naturalizam a explicação de conteúdos históricos, ideológicos, políticos e sociais. 

Por: Abdul Carimo Baldé

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

BRASIL - ACIDENTE FATIDICO MATA CANDIDATO DOS SOCIALISTAS AS PRESIDENCIAIS DE OUTUBRO PRÓXIMO






Não há sobreviventes da queda, em Santos, no estado de São Paulo, da aeronave que transportava Eduardo Campos, candidato do Partido Socialista Brasileiro às presidenciais agendadas para o dia 5 outubro.

Morreram os cinco passageiros e dois tripulantes do Cessna 560XL que se despenhou numa zona residencial da cidade do litoral paulista.

Os principais adversários do antigo governador de Pernambuco – a Presidente Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) – suspenderam todos os compromissos da campanha mal souberam do trágico acidente que vitimou Campos.

O candidato dos socialistas brasileiros seguia em terceiro nas sondagens, com cerca de 9% das intenções de voto.

O PSB irá agora designar outro candidato. Marina Silva, que concorria à vice-presidência e que devia ter seguido no voo fatídico, é a melhor colocada para assumir as rédeas da campanha presidencial dos socialistas brasileiros.