O Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, lamentou que o chefe de
Estado da
Guiné-Bissau, José Mário Vaz, tenha empossado um novo
primeiro-ministro antes de
chegarem ao país mediadores para ajudar a
resolver a crise política.
"É lamentável que, enquanto o líder Obasanjo [antigo presidente da
Nigéria] estava reunido com o Presidente Sall [do Senegal]", no percurso
para Bissau, "o Presidente José Mário Vaz tenha nomeado e dado posse a
um novo primeiro-ministro", referiu Buhari numa declaração feita na
sexta-feira e hoje difundida na comunicação social do país.
Nessa declaração, a posse de Baciro Djá é classificada como "um desenvolvimento que piorou a situação política" da Guiné-Bissau.
O Presidente nigeriano apelou à calma e pediu às lideranças políticas
guineenses que tenham "a máxima moderação" de modo a garantir "a
manutenção da lei e da ordem enquanto continuam os esforços para
resolver a crise atual".
A Nigéria é o principal financiador da Ecomib, a força de
estabilização composta por militares e polícias da sub-região,
destacados para a Guiné-Bissau depois do golpe de Estado de 2012 e que
ali se mantêm, por se considerar que ainda há ameaças à paz.
O antigo presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, fazia parte de uma
comitiva que na quinta-feira devia ter chegado a Bissau para ajudar a
resolver a crise política.
A comitiva tinha sido organizada no âmbito da Comunidade Económica
dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e integrava ainda a comissária
da organização para os Assuntos Políticos, Paz e Segurança, Salamatu
Hussaini.
O Presidente do Senegal, Macky Sall, lidera a autoridade de chefes de
Estado da CEDEAO e os enviados que viajavam da Nigéria para Bissau
fizeram uma paragem em Dacar para um encontro com o líder senegalês
quando souberam da escolha de Baciro Djá.
Em consequência, a visita da comitiva da CEDEAO foi suspensa.
Na Guiné-Bissau, a nomeação de Baciro Djá motivou protestos do
Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e de
organizações da sociedade civil guineense que consideram a decisão de
Vaz inconstitucional.
LFO // MAG
Lusa/fim
