Era preciso uma
eternidade para construir um discurso contraditório, cheio de inverdades e
mentiras por parte da Presidência da Republica? Senão vejamos:
- O Jomav disse
nunca ter dito ao Presidente da ANP que já tinha tomado a decisão de demitir o
governo e ao mesmo tempo disse ter apresentado ao mesmo três pontos para a
saída a crise. Mas dos três pontos apresentados, dois pontos apontavam para a
queda do governo (demissão do PM e dissolução da ANP), reforçada com a perda de
confiança em relação ao PM; não é difícil deduzir qual a posição do PR;
- Segundo o
comunicado da presidência, em reação ao discurso a Nação do PM, diz-se que o
referido discurso é “calunioso e atentatório”, mas o PR veio a confirmar os
pontos em discórdia elencados pelo PM nomeadamente: …nunca ter informado ao PR
a estratégia ou modelo de gestão dos eventuais apoios a receber dos nossos
parceiros (mas não confirmou e nem recusou, de forma clara, a ideia de ter uma
pessoa para controlar esses fundos na sua explanação, como referiu o DSP) …
questão dos membros do governo com problemas com a justiça, … o PM nunca me
informou da vinda do Zamora etc…
- A questão do
“jobs for the boys” encontra-se de forma mais patente na presidência da
Republica, nos seus conselheiros. Então onde está o moral de falar dos
compromissos pré-eleitorais se o próprio PR honra este compromisso?
- Com este
discurso o jomav demonstra que não acredita nas instituições (principalmente na
justiça que uma vez acusou de corrupto) e ele aparentemente quer transformar a
nossa democracia em monarquia (PR, chefe do executivo, Chefe do Ministério
Publico, do Tribunal de Contas etc…), tornar-se o centro de tudo, assumindo uma
postura arrogante, como o Rei Luís XIV de Franca "L'État c'est moi" (em português: O Estado sou eu)).
- Segundo jomav
“pouco ou nada se fez durante um ano deste governo…” esta opinião, sinceramente
é a pior hipocrisia do jomav e vem colocando por terra qualquer outra
justificação que ele poderá ter de demitir este governo, pois ficou claro que o
jomav nunca desejou o sucesso a este governo, pautando por criar um governo
paralelo na presidência (com as derrotas do Cacheu e os que não conseguiram
lugar no governo liderado por DSP), sempre criticando e nunca elogiando este
governo que aliás, num ano de governação, até certo ponto, foi melhor que o
governo em que ele foi ministro das finanças;
- Jomav
esqueceu-se ou não tem clarividência de compreender que, apesar do nosso
sistema semipresidencialismo, o povo da Guiné-Bissau, ao votar nas eleições
legislativas, vota na figura da pessoa que irá chefiar o governo, a maioria dos
eleitores nem conhecem os candidatos, ao deputado, nos seus círculos
eleitorais;
- Ao falar das
contas do Estado disse que … durante um ano entrou 109 bilhões e deduzidos os
salários resta 56 bilhões”, mas será que o pagamento do salario é a única
despesa do Estado (Governo)? As outras despesas: despesas com aquisições de
bens e serviços correntes, eletricidade, investimento em obras públicas,
telefones, combustíveis, despesas com o desporto (a seleção), o pagamento da
dívida externa algo inédito na nossa história etc… não contam para a matemática
do jomav? E se ele tiver dúvidas relativamente a este montante, porque não
instruiu o tribunal de conta a averiguar? Ma fé?!
- Ainda no seu
discurso (… ameaçaram a paz social… caso as instituições do Estado não se declinem perante a pessoa do Senhor
Primeiro Ministro) o Jomav demonstrou duma forma clara a inveja
desmedida nutrida com a dimensão política do DSP, que é na verdade superior que
a sua (tanto a nível interno, como externo), não conforma com a visão do povo
em ver o DSP como “salvador da pátria”, esquecendo-se que só chegou a
Presidência graças ao DSP, porque o povo votou nele, na maioria esmagadora, por
pensar que com ele o DSP teria mais estabilidade governativa o que não foi o
caso;
Feitas estas
análises, ao PR Jomav gostaria de dizer o seguinte:
1.
O povo guineense não vai
perdoar o senhor por esta sua decisão (apoiada pelos derrotados do Cacheu e
inconformistas do PAIGC), contraria ao desejo de quase todo o mundo (inclusive
crianças e mulheres) que imploraram com lagrimas a sua ponderação;
2.
Se porventura chegarem ao
ponto de vieres a nomear um governo de iniciativa presidencial, saiba que estes
não farão milagres, e se porventura não conseguirem fazer igual ou melhor que
este governo poderá colocar o pais na revolta popular ou poderá acordar a velha
maquina de instabilidade que é a classe castrense (Golpe de Estado);
3.
Era melhor reconciliares
consigo mesmo e com Deus antes que seja tarde, porque esta história de
djambacusis i murrus não acabam bem (isto vale para todos que escolhem esta via
para triunfar como o senhor), certamente terás muito a pagar por alma de cada
guineense descontente ou que venha a sofrer por esta sua decisão;
Ao PAIGC gostaria
de dizer o seguinte:
- Existe um
sentimento nacional de angústia e de solidariedade com o executivo ora demitido
e certamente existirá uma revolta no seio dos órgãos do partido face as
decisões do PR, mas o certo é que as vossas inquietações não devem levar as
posições extremas, sejam inteligentes, evitando erros do passado e fazer com
que “o cão morde o seu rabo” através dos seguintes pontos:
1. Façam a vossa
habitual reunião de concertação com ponderação e muita responsabilidade,
pensando no povo que votou no vosso partido para governar e escolher um nome
diferente do DSP, mas que seja pessoa da confiança do DSP e do partido (eu
sugeria o Carlos Correia por ser o 1º Vice-presidente do partido);
2. Na proposta do
novo governo façam o favor de manter todas as pessoas, do atual governo, nas
respetivas pastas, excluindo os que não têm problemas com a justiça, para
manter a dinâmica do atual executivo e salvar o país;
3. Que o Carlos
Correia nomeie o DSP como seu conselheiro especial (ou Ministro dos negócios
estrangeiros);
Com estes três
pontos saberemos qual a verdadeira intenção do jomav (se é o DSP que está em
causa ou outros interesses obscuros, como por exemplo interesses económicos, ou
o eventual apoio do Rei de Marrocos em transformar a face da Bissau, que o PR
quer ser ele a executar).
Pois o que se
consegue reter com o que tem sido até aqui a postura do PR é de assumir uma
posição direta na governação, assumir uma postura executiva contrária ao que a
constituição lhe reserve em termos de competências, tentando arrastar o PAIGC a
uma guerra como aconteceu entre o Nino Vieira e Codogo, para depois assumir o
controlo da governação através de um governo de iniciativa governamental, mas
por favor “não deem o ouro ao bandido”.
Como é típico das
estratégias dos políticos guineenses, o partido deve estar mais que unido neste
momento e sobretudo atento, porque vai iniciar uma campanha de perseguição
politica e difamação para a aniquilação política do DSP e dos seus aliados
diretos, tanto a nível do partido, como fora do mesmo, alias isto está bem
patente no discurso do PR;
Por fim,
aconselhar a ANP a proceder o mais rápido possível com a revisão
constitucional, retirando ao PR o poder de derrubar o governo, ficando este
poder apenas com a ANP que é a emanação do governo.
Sempre ao lado da
paz e estabilidade.
O Cidadão
L. Monteiro