quinta-feira, 13 de agosto de 2015

OPINIÃO:ANÁLISE AO DISCURSO DO PR FACE A CRISE POLÍTICA NA GUINÉ-BISSAU



Era preciso uma eternidade para construir um discurso contraditório, cheio de inverdades e mentiras por parte da Presidência da Republica? Senão vejamos:

- O Jomav disse nunca ter dito ao Presidente da ANP que já tinha tomado a decisão de demitir o governo e ao mesmo tempo disse ter apresentado ao mesmo três pontos para a saída a crise. Mas dos três pontos apresentados, dois pontos apontavam para a queda do governo (demissão do PM e dissolução da ANP), reforçada com a perda de confiança em relação ao PM; não é difícil deduzir qual a posição do PR;
 
- Segundo o comunicado da presidência, em reação ao discurso a Nação do PM, diz-se que o referido discurso é “calunioso e atentatório”, mas o PR veio a confirmar os pontos em discórdia elencados pelo PM nomeadamente: …nunca ter informado ao PR a estratégia ou modelo de gestão dos eventuais apoios a receber dos nossos parceiros (mas não confirmou e nem recusou, de forma clara, a ideia de ter uma pessoa para controlar esses fundos na sua explanação, como referiu o DSP) … questão dos membros do governo com problemas com a justiça, … o PM nunca me informou da vinda do Zamora etc…
 
- A questão do “jobs for the boys” encontra-se de forma mais patente na presidência da Republica, nos seus conselheiros. Então onde está o moral de falar dos compromissos pré-eleitorais se o próprio PR honra este compromisso?

- Com este discurso o jomav demonstra que não acredita nas instituições (principalmente na justiça que uma vez acusou de corrupto) e ele aparentemente quer transformar a nossa democracia em monarquia (PR, chefe do executivo, Chefe do Ministério Publico, do Tribunal de Contas etc…), tornar-se o centro de tudo, assumindo uma postura arrogante, como o Rei Luís XIV de Franca "L'État c'est moi" (em português: O Estado sou eu)).

- Segundo jomav “pouco ou nada se fez durante um ano deste governo…” esta opinião, sinceramente é a pior hipocrisia do jomav e vem colocando por terra qualquer outra justificação que ele poderá ter de demitir este governo, pois ficou claro que o jomav nunca desejou o sucesso a este governo, pautando por criar um governo paralelo na presidência (com as derrotas do Cacheu e os que não conseguiram lugar no governo liderado por DSP), sempre criticando e nunca elogiando este governo que aliás, num ano de governação, até certo ponto, foi melhor que o governo em que ele foi ministro das finanças;

- Jomav esqueceu-se ou não tem clarividência de compreender que, apesar do nosso sistema semipresidencialismo, o povo da Guiné-Bissau, ao votar nas eleições legislativas, vota na figura da pessoa que irá chefiar o governo, a maioria dos eleitores nem conhecem os candidatos, ao deputado, nos seus círculos eleitorais;

- Ao falar das contas do Estado disse que … durante um ano entrou 109 bilhões e deduzidos os salários resta 56 bilhões”, mas será que o pagamento do salario é a única despesa do Estado (Governo)? As outras despesas: despesas com aquisições de bens e serviços correntes, eletricidade, investimento em obras públicas, telefones, combustíveis, despesas com o desporto (a seleção), o pagamento da dívida externa algo inédito na nossa história etc… não contam para a matemática do jomav? E se ele tiver dúvidas relativamente a este montante, porque não instruiu o tribunal de conta a averiguar? Ma fé?!

- Ainda no seu discurso (… ameaçaram a paz social… caso as instituições do Estado não se declinem perante a pessoa do Senhor Primeiro Ministro) o Jomav demonstrou duma forma clara a inveja desmedida nutrida com a dimensão política do DSP, que é na verdade superior que a sua (tanto a nível interno, como externo), não conforma com a visão do povo em ver o DSP como “salvador da pátria”, esquecendo-se que só chegou a Presidência graças ao DSP, porque o povo votou nele, na maioria esmagadora, por pensar que com ele o DSP teria mais estabilidade governativa o que não foi o caso;

Feitas estas análises, ao PR Jomav gostaria de dizer o seguinte:

1.       O povo guineense não vai perdoar o senhor por esta sua decisão (apoiada pelos derrotados do Cacheu e inconformistas do PAIGC), contraria ao desejo de quase todo o mundo (inclusive crianças e mulheres) que imploraram com lagrimas a sua ponderação;

2.       Se porventura chegarem ao ponto de vieres a nomear um governo de iniciativa presidencial, saiba que estes não farão milagres, e se porventura não conseguirem fazer igual ou melhor que este governo poderá colocar o pais na revolta popular ou poderá acordar a velha maquina de instabilidade que é a classe castrense (Golpe de Estado);

3.       Era melhor reconciliares consigo mesmo e com Deus antes que seja tarde, porque esta história de djambacusis i murrus não acabam bem (isto vale para todos que escolhem esta via para triunfar como o senhor), certamente terás muito a pagar por alma de cada guineense descontente ou que venha a sofrer por esta sua decisão;

Ao PAIGC gostaria de dizer o seguinte:

- Existe um sentimento nacional de angústia e de solidariedade com o executivo ora demitido e certamente existirá uma revolta no seio dos órgãos do partido face as decisões do PR, mas o certo é que as vossas inquietações não devem levar as posições extremas, sejam inteligentes, evitando erros do passado e fazer com que “o cão morde o seu rabo” através dos seguintes pontos:

1. Façam a vossa habitual reunião de concertação com ponderação e muita responsabilidade, pensando no povo que votou no vosso partido para governar e escolher um nome diferente do DSP, mas que seja pessoa da confiança do DSP e do partido (eu sugeria o Carlos Correia por ser o 1º Vice-presidente do partido);

2. Na proposta do novo governo façam o favor de manter todas as pessoas, do atual governo, nas respetivas pastas, excluindo os que não têm problemas com a justiça, para manter a dinâmica do atual executivo e salvar o país;

3. Que o Carlos Correia nomeie o DSP como seu conselheiro especial (ou Ministro dos negócios estrangeiros);

Com estes três pontos saberemos qual a verdadeira intenção do jomav (se é o DSP que está em causa ou outros interesses obscuros, como por exemplo interesses económicos, ou o eventual apoio do Rei de Marrocos em transformar a face da Bissau, que o PR quer ser ele a executar).

Pois o que se consegue reter com o que tem sido até aqui a postura do PR é de assumir uma posição direta na governação, assumir uma postura executiva contrária ao que a constituição lhe reserve em termos de competências, tentando arrastar o PAIGC a uma guerra como aconteceu entre o Nino Vieira e Codogo, para depois assumir o controlo da governação através de um governo de iniciativa governamental, mas por favor “não deem o ouro ao bandido”.

Como é típico das estratégias dos políticos guineenses, o partido deve estar mais que unido neste momento e sobretudo atento, porque vai iniciar uma campanha de perseguição politica e difamação para a aniquilação política do DSP e dos seus aliados diretos, tanto a nível do partido, como fora do mesmo, alias isto está bem patente no discurso do PR;

Por fim, aconselhar a ANP a proceder o mais rápido possível com a revisão constitucional, retirando ao PR o poder de derrubar o governo, ficando este poder apenas com a ANP que é a emanação do governo.

Sempre ao lado da paz e estabilidade.
O Cidadão
L. Monteiro