Ainda me lembro da sensação que foi o lançamento do Yannick
Djalo na equipa principal do Sporting. Descoberto por Boloni, após rodar no
Casa Pia, mostrou qualidades técnicas e atléticas que legitimavam a esperança
de uma progressão notável como futebolista. Estreou-se na equipa principal em
2006, com 19 anos, e o mundo a seus pés. Hoje, com 27 anos (fim da carreira),
nem mesmo o Benfica o quer, após uma discreta passagem pelo futebol francês.
Yannick tinha todas as condições pra ser um grande craque, e defraudou todas as
expectativas. Porque será? Talvez o falhanço da carreira do nosso irmão Djalo
terrão sido mais extradesportivas, do que propriamente desportivas. Um dia, já
la vão anos, vi-o num jeep HUMMER, réplica dos usados pelo exército
norte-americano, veiculo caro e espalhafatoso, que de certeza não cabia pelo
portão da vivenda dele na Moita onde vive com a família, e fiquei a pensar
porque razão é que um miúdo como ele precisava um carro daqueles. Depois
habituei-me a ler pelos jornais e na imprensa cor-de-rosa, as contantes
atribulações sentimentais, a sua conturbada relação conjugal de forma pública,
os carros de luxo e personalizados, as lojas de roupa que fecharam pouco depois
de abrir. Não posso deixar de pensar que esta exposição mediática, tiveram
influência no equilíbrio e rendimento do nosso irmão.
Yannick podia ter
sido um grande jogador, mas atingiu esse patamar, fico com a sensação que ele
não foi o único culpado desse infeliz estado de coisas, e que terá havido gente
a aproveitar-se da sua impreparação. Se alguma coisa a história do Yannick
ensina, é que se o talento é indispensável, não basta, para atingir o estatuto
de jogador de eleição; ou seja é condição necessária, mas não suficiente. Um
jogador de topo tem de gerir a sua carreira, ou delegar noutros essa gestão,
por forma a adquirir a estabilidade, equilíbrio financeiro e pessoal, que
permitam o sereno aproveitamento de todo o seu potencial. Chama-se a isso
profissionalismo; é a diferença entre chegar ao topo ou ficar pelo caminho.
Espero que o Bruma leia esta humilde opinião e medite sobre
as nefastas consequências do deslumbramento e do vedetismo apressado.
Genilson Nunes