Mário Aleixo - RTP 12
Abr, 2016, 06:57 / atualizado em 12 Abr, 2016, 09:20 | Mundo
António
Guterres é esta terça-feira entrevistado na ONU na corrida ao cargo de
secretário-geral.
O
ex-primeiro-ministro António Guterres é entrevistado esta terça-feira como um
dos candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU. A audição ocorre perante os
195 países que integram a organização internacional, num inédito processo de
seleção para o cargo.
Numa
tentativa para melhorar a transparência de um processo de seleção que
tradicionalmente tem decorrido entre bastidores, os candidatos vão passar pela
Assembleia geral para apresentar as suas propostas e submeter-se ao escrutínio
dos Estados-membros.
António
Guterres, que até ao final de 2015 exerceu o cargo de Alto comissário das
Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) será o terceiro candidato à
substituição do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, cujo mandato termina no
final de 2016, que será entrevistado na sede da organização em Nova Ioque.
A audição
está prevista para o período entre as 15h00 e as 17h00 locais (as 19h00 e as 21h00
em Bissau).
Desfile de candidatos
As provas
serão iniciadas pelo ex-primeiro-ministro e até há pouco o responsável pela
diplomacia do Montenegro, Igor Luksic, seguindo-se a diretora-geral da Unesco,
a búlgara Irina Bokova, e com António Guterres a encerrar o primeiro dia de
audições.
Para
quarta-feira vão ser convocados o ex-presidente esloveno, Danilo Turk, a
ex-vice-presidente e ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Croácia, Vesna
Pusic, e a ex-ministra da Moldávia Natalia Guerman, que ocupava a mesma pasta.
Na
quinta-feira as audições foram reservadas para o macedónio Srgjan Kerim, que
presidiu à Assembleia geral da ONU entre 2007 e 2008, e à ex-primeira-ministra
da Nova Zelândia, Helen Clark, que oficializou a candidatura na semana passada.
Um processo alargado
No processo
participam as Nações Unidas, mas também, pela primeira vez, várias organizações
não-governamentais e entidades da sociedade civil vão estar presentes para
colocar questões e entrevistar os candidatos.
Cada
candidato vai dispor de duas horas para expor as suas propostas aos
representantes da ONU e às distintas organizações não-governamentais e depois
daquele encontro também poderá falar com os órgãos de comunicação social.
Esta é a
primeira vez que a ONU vai realizar a seleção do secretário-geral com
candidaturas públicas, que vão ser avaliadas pela sociedade civil.
Os candidatos
já remeteram à Assembleia geral breves prestações por escrito das suas ideias,
onde se incluem propostas para reformar o funcionamento das Nações Unidas e
adaptá-la às realidades do século XXI.
A Assembleia
é o órgão que deverá eleger no outono o próximo secretário-geral da ONU, apesar
de tradicionalmente o processo ser controlado pelas potências do Conselho de
Segurança, que recomendam um candidato.
Peso da tradição
Habitualmente,
e seguindo uma norma não escrita, o cargo tem rodado entre diversas regiões, e
teoricamente corresponderia nesta ocasião à Europa de Leste.
No entanto,
sublinhou na agência noticiosa Efe, as numerosas novidades introduzidas para
melhorar a transparência e democratizar a eleição, as expetativas "estão
por agora cristalizadas" em António Guterres e Helen Clark.
A
candidatura de António Guterres foi formalizada pelo Governo português em 29 de
fevereiro, ao ser sublinhado o "amplo consenso interno" em torno da
candidatura do antigo alto-comissário da ONU para os refugiados.
"Ao
tomar esta iniciativa, Portugal contribui de forma ativa para o processo de
seleção do próximo secretário-geral da ONU, apresentando um candidato
excecionalmente qualificado para o desempenho daquele lugar", referiu a
nota divulgada pelo executivo português.
