Christopher Marques -
RTP 13 Abr, 2016, 11:13 / atualizado em 13 Abr, 2016, 12:37 | Mundo
É pequeno o
destaque dado pela imprensa internacional ao que se passa por estes dias nas
Nações Unidas. Assinala-se o passo histórico que são as audições aos candidatos
a secretário-geral, mas não se acompanha o processo. Apesar disso, ainda há
palavras bonitas para António Guterres. A France Presse aponta que o português
foi “o mais eloquente e o mais convincente do dia”. Para trás fica o nervosismo
do concorrente Igor Luksic.
Um candidato
“visivelmente nervoso”. Não, não foi Guterres. Uma pretendente a jogar a carta
do feminismo. Não, não foi Guterres. São mais simpáticas as palavras que a
France Presse reservou para António Guterres.Apesar de a imprensa internacional
assinalar o “passo histórico” de os candidatos a secretário-geral serem
submetidos a um exame público, são poucos os órgãos de comunicação social que
retratam de forma próxima o assunto.
Afinal, o
português foi “o mais eloquente e o mais convincente do dia”. A batalha para
que o ex-primeiro-ministro suceda a Ban Ki-Moon mantém-se difícil, mas a boa
prestação lusa não deixa de ser assinalada.
A agência
noticiosa francesa sublinha que o ex-alto comissário das Nações Unidas para os
Refugiados fez a defesa dos migrantes, apontando que a emigração deve ser “uma
opção e não um ato de desespero”. Pediu que o “fardo” seja partilhado por todos
os países” e apelou à solidariedade.
O jornalista
André Viollaz assinala ainda o à vontade com que António Guterres falou em
francês, inglês e espanhol e a sua defesa por uma ONU menos burocrática. “Há
reuniões a mais, com participantes a menos e decisões a menos”, afirmou o
ex-primeiro-ministro durante o exame.
“A
independência é uma atitude”
A Associated
Press, num artigo publicado por The New York Times, assinala o facto de António
Guterres ter defendido que o secretário-geral deve apresentar resultados. Um
texto que assinala também a diferença das respostas de Guterres e do seu
adversário Igor Luksic à pergunta da Argélia: como resistir às pressões das
grandes potências?
O ministro
do Montenegro apontou que a pergunta seria respondida no fim do mandato, uma
vez que “a única forma de medir isso é pelos resultados”. À mesma pergunta,
Guterres respondeu de forma diferente, também citada por The Guardian.
“Não posso
dizer que posso evitar a pressão mas posso resistir à pressão. A independência
é uma atitude. Não me parece que vá mudar”, respondeu.
Numa análise
mais suspeita, também o chefe da diplomacia portuguesa elogiou a prestação do
ex-primeiro-ministro. Apesar de dizer não estar surpreendido, Augusto Santos
Silva enaltece a “grande qualidade” da intervenção de Guterres, bem como a
“clareza da visão” que o português tem para o cargo.
Processo
mais transparente
É a primeira
vez que os candidatos a secretário-geral são submetidos a um exame público. Até
agora, a escolha do líder das Nações Unidas era feita à porta fechada entre os
membros do Conselho de Segurança, em especial pelos membros permanentes.
Desta vez, a
escolha continua a estar sujeita ao veto dos cinco membros permanentes mas o
processo apresenta-se já mais transparente. Os candidatos tiveram já de
apresentar uma carta de candidatura, o currículo e são agora sujeitos à prova
oral: duas horas para apresentar as suas ideias e provar a competência para o
cargo.
Esta
terça-feira, três candidatos explicaram à assembleia-geral ao que vão. O
ministro dos Negócios Estrangeiros do Montenegro, Igor Luksic, garantiu, apesar
da sua tenra idade, conhecer os “desafios do mundo. Segundo a France Presse,
apresentou-se nervoso. Seguiu-se Irina Bokova, a búlgara que dirige a UNESCO. A
candidata defendeu ser hora “de oferecer às mulheres a oportunidade de se
desenvolverem como membros iguais da sociedade”.
Uma defesa
que chega num momento em que reina a convicção de que a liderança das Nações
Unidas será entregue pela primeira vez a uma mulher. Se a este anseio se juntar
o facto de a Europa de Leste reclamar que chegou a sua vez de assumir a função,
Irina Bokova parte com vantagem para ser eleita. Convém contudo não esquecer
que Bokova não é a única mulher de leste na corrida. A croata Vesna Pusic e a
moldava Natalia Gherman também tentam a sua sorte. O croata Srgjan Kerim também
é candidato, bem como a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clar, e o
ex-presidente esloveno, Danilo Türk. Já esta terça-feira, foi anunciada a
candidatura do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Sérvia, Vuk Jeremic. E
novos nomes poderão ainda surgir: a búlgara Kristalina Georgieva, atual
comissária europeia, e Susana Malcorra, ministra dos Negócios Estrangeiros da
Argentina, são personalidades a ter em conta.
