O Papa
Francisco e o Patriarca Kiril, de Moscovo, realizam esta sexta-feira, em
Havana, capital de Cuba, um encontro histórico. Pela primeira vez, em quase
1000 anos, os líderes cristãos das igrejas católica e ortodoxa russa vão
encontrar-se depois de as duas doutrinas se terem separado a mal no ano de
1054.
Em
entrevista recente ao jornal Corriere della Sera, o líder da Santa Sé admitia
convergência com a Rússia pela paz no Mundo. Depois de já ter recebido o
presidente Vladimir Putin por duas ocasiões, no Vaticano — a primeira em
novembro de 2013 —, Francisco terá agora o primeiro encontro com o Patriarca de
Moscovo em território neutro, mas a política, garante o porta-voz da igreja
ortodoxa russa, Alexander Volkov, não fará parte da conversa.
“A agenda da
igreja não tem qualquer relação com a agenda política de qualquer país.
Partimos do facto de que este ser um encontro de dois líderes religiosos e a
política não terá lugar neste encontro. Tentar ver aqui algum interesse
político não faz sentido”, afirmou o padre Volkov.
Este será o
primeiro encontro de ambas as doutrinas católicas desde que se separaram a mal
há quase 1000 anos. A importância do momento justificou o secretismo com que
foi preparado, refere o cardeal Kurt Koch, o presidente do Conselho Pontífice
para a Promoção da União Cristã.
“Era muito
importante que não disséssemos nada em termos públicos porque este será um
encontro histórico. É a primeira vez que o patriarca da igreja ortodoxa russa e
o Papa da igreja católica se encontram. Isto tinha de ser preparado em
segredo”, insistiu.
O encontro
do Papa com o Patriarca de Moscovo acontece em pleno aeroporto José Marti, em
Havana, à chegada do líder da igreja católica — o líder religioso russo viajou
esta quinta-feira. À espera de Francisco estará o presidente cubano Raul
Castro.
O encontro
de Francisco com o Patriarca Kiril inclui uma reunião à porta fechada de cerca
de duas horas e mediada pelo sacerdote lituano Visvaldas Kulbokas, como
intérprete. Kulbokas, de 41 anos, é o antigo primeiro secretário da Nunciatura
Apostólica de Moscovo, trabalha desde 2012 nas Relações Extrenas da Secretaria
de Estado do Vaticano e, em junho, já havia sido ínterprete da receção do Papa
a Putin na Santa Sé.
A escala em
Havana antecede uma inédita viagem do Papa Francisco ao México. Tirando esta
passagem por Cuba, o líder da Santa Sé irá ocupar o resto do tempo com um
périplo pelo México, sendo a primeira vez que Jorge Bergoglio visita este país
desde que foi elevado no Vaticano à sucessão de Bento XVI.
Francisco
irá percorrer mais de 400 quilómetros entre os cinco Estados mexicanos que
visitará. Anunciados estão uma missa especial na Ciudad Juarez, a dezenas de
metros da fronteira com os Estados Unidos, a visita à Basílica de Nossa Senhora
de Guadalupe, encontros com os pobres, os doentes e os índigenas de Chiapas.
Fonte: Euronews
