Nunca antes foi tão urgente – ou tão possível – acabar com a prática da Mutilação Genital Feminina (MGF), para evitar este sofrimento humano incomensurável e aumentar o poder das meninas e das mulheres, o que teria um impacto positivo no mundo.
Esta urgência pode ser vista através dos números. As mais recentes estimativas revelam que, em 2016, pelo menos 200 milhões das meninas e mulheres que vivem entre nós foram vítimas de uma prática de MGF. Os números continuam a aumentar, tanto porque há mais países que estão a prestar atenção à MGF e recolhem dados sobre essa prática – o que é um progresso –, mas também porque os esforços para erradicar a prática não acompanham o ritmo do crescimento populacional – o que não é, de todo, positivo.
O potencial para um mais rápido progresso na erradicação da MGF também é claro. Este Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina é o primeiro a ser observado desde que a visionária Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi adotada por todos os países, com o compromisso de não deixar ninguém para trás. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável contêm uma meta específica sobre a erradicação da MGF. Quando esta prática for totalmente abandonada, os efeitos positivos vão reverberar por todas as sociedades e as meninas e as mulheres vão poder recuperar a sua saúde, o respeito pelos seus direitos humanos e pelo seu vasto potencial.
Hoje, elevo a minha voz e apelo a que se juntem a mim na capacitação das sociedades que estão ansiosas por mudança. Conto com os governos para que honrem as suas promessas, com o apoio da sociedade civil, dos prestadores de cuidados de saúde, dos meios de comunicação social e dos jovens. O movimento que criei “Cada Mulher, Cada Criança” disponibiliza uma plataforma de parcerias para a ação.
Sinto-me encorajado pelo crescente coro de vozes jovens que clamam pela erradicação desta prática – e faço eco da sua insistência na defesa e implementação dos direitos humanos para todos. Sinto-me inspirado pelos bravos guerreiros Maasai e por estrelas do críquete, tais como Sonyanga Ole Ngais, que usam a sua posição e influência para exigir proteção para as suas irmãs. Sinto-me encorajado pelo trabalho dos prestadores de cuidados de saúde, tais como Edna Adnan, fundadora de uma maternidade na Somaliland que tem o seu nome, e que insiste que todos os trabalhadores de saúde devem ter formação para enfrentar a MGF. E estou grato pelo envolvimento do jornal The Guardian, que está a expandir o seu trabalho para ajudar a erradicar a MGF na Nigéria, e a muitos outros meios de comunicação social e jornalistas que divulgam o assunto.
Podemos acabar com a MGF dentro de uma geração, ficando mais próximos de um mundo onde os direitos humanos de cada mulher, criança e adolescente são totalmente respeitados, a sua saúde é protegida e podem contribuir melhor para o nosso futuro comum.