As células
cancerígenas têm marcas genéticas que podem servir de alvo para o sistema
imunológico atacar o tumor. Esta descoberta, agora anunciada num estudo que foi
publicado pela revista Science, pode levar a uma revolução no combate à doença,
abrindo caminho para tratamentos individuais muito mais eficientes do que
aqueles que existem atualmente.
O conceito
de imunoterapia já é considerado a grande arma contra o cancro. A ideia
consiste em estimular o sistema imunológico do corpo humano por meio de
substâncias que modificam a resposta biológica.
Há muito que
a imunoterapia, que utiliza o sistema imunológico do corpo para atacar as
células cancerígenas, tem vindo a anunciar uma nova era para o tratamento do
cancro. Os investigadores já tinham mostrado que a cura é possível contra uma
infinidade de diversos tipos de cancro.
De acordo
com o mesmo estudo, citado pela BBC, as células imunológicas atacam diretamente
cada tipo de tumor. O resultado deste novo estudo já é considerado o “calcanhar
de Aquiles” do cancro.
O estudo
desenvolveu uma maneira de descobrir o “tronco” principal da anomalia que
altera as proteínas que se destacam à superfície das células cancerígenas. Com
esta descoberta, o tratamento consegue dar prioridade e atingir estas proteínas
no tumor, presentes em todas as células.
Tal como os
organismos vivos, o tumor também evolui. Isto explica por que é que algumas das
suas partes são diferentes de outras, tornando muito difícil o ataque pelas
células imunológicas.
Mesmo que
reconheçam o cancro como um problema e tentem combatê-lo, a complexidade do seu
crescimento é difícil. Agora, uma equipa de cientistas de dos Estados Unidos da
América e do Reino Unido descobriram células raras imunológicas, dentro dos
tumores, capazes de reconhecer essas estruturas originais, mais vulneráveis, e
de combatê-las.
Segundo
estes cientistas, se essas células forem isoladas e artificialmente
multiplicadas no laboratório, podem ser uma força poderosa contra o cancro, com
potencial para atacar todas as células cancerígenas no corpo.
Combinadas
com drogas, pode levar a uma nova geração de tratamentos customizados contra o
câncer. Então nossos cientistas planejam agora estudar mais sobre essas
células. Se a promessa se cumprir, pode ser uma forma revolucionária de tratar
ou mesmo curar o câncer.
“O sistema
imunológico do cancro atua como polícia no combate a criminosos. Tumores
geneticamente diferentes são como “gangue” que se envolve em diversos tipos de
crimes, roubo ou contrabando”, explicou o cientista Sergio Quezada, do Centro
de Pesquisas sobre o cancro do Reino Unido.
