A bielorussa é a 112.º
autora a ser premiada com a mais importante distinção literária, que em 1998
foi entregue ao português José Saramago.
Sara
Danius, secretária permanente da Academia (a primeira mulher neste cargo),
destacou a “obra polifónica” de Alexievich. “Um memorial ao sofrimento e
coragem da nossa época.”
Svetlana
Alexievich, nascida em 1948 em Minsk, na Bielorrússia, é considerada uma das
autoras mais prestigiadas a escrever sobre a URSS.
Já este ano foi editado
pela Porto Editora o seu mais recente livro, O Fim do Homem Soviético, que lhe
valeu o Prémio Médicis Ensaio, em 2013, e foi considerado o Melhor Livro do Ano
pela revista Lire.
Está
traduzida em 22 línguas e algumas das suas obras foram adaptados a peças de
teatro e documentários. Alexievich recebeu, entre outras distinções, o Erich
Maria Remarque Peace Prize, em 2001, e o National Book Critics Circle Award, em
2006.
À
televisão pública sueca SVT, Sara Danius revelou que acabara de falar com a
jornalista e escritora bielorrussa e que ela apenas disse uma palavra:
“Fantástico!”, escreve a agência AFP.
Estudou
na Universidade de Minsk entre 1967 e 1972. Trabalhou vários anos como
jornalista até publicar a sua primeira obra, War's Unwomanly Face, em 1985, que
teve por base centenas de entrevistas a mulheres que participaram na Segunda
Guerra Mundial.
No
ano passado a distinção
foi atribuída ao escritor francês Patrick Modiano.
O prémio tem um valor
pecuniário de oito milhões de coroas suecas (cerca de 877 mil euros).
Em 2012, a Academia
reduziu o prémio de dez milhões de coroas suecas (cerca de um milhão de euros)
para o valor actual.
As
habituais, e já tradicionais, casas de apostas, apontavam já a jornalista
bielorussa Svetlana Alexievich (publicada em Portugal pela Porto Editora) como
a favorita para suceder a Modiano.
Já em 2013, Alexievich ero nome de que se
falava. seguida de autores já considerados como eternos candidatos ao
Nobel como o japonês Haruki Murakami ou os norte-americanos Philip Roth e Joyce
Carol Oates. António Lobo Antunes é também um nome recorrente nesta
corrida das apostas – que
raramente acertam.
Alexievich torna-se
assim na 14ª mulher a ser laureada com o Nobel da Literatura. Desde 1901,
foram já premiados com o Nobel da Literatura 112 escritores. José Saramago
é até agora o único autor português que recebeu este prémio Nobel da
Literatura.
Este
é o quarto prémio atribuído pela Academia Sueca este ano depois do Nobel da
Medicina (William
Campbell e Satoshi Omura), da Física (Takaaki Kajita e Arthur McDonald,) e da Química (Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz
Sancar). Nesta sexta-feira será atribuído o Prémio Nobel da Paz pelo Comité
Nobel Norueguês.