Os egipcíos começaram a votar neste domingo para eleger
um Parlamento que vai reforçar o poder absoluto do Presidente Abdel Fattah
al-Sissi, dada a total ausência de uma oposição que foi violentamente reprimida
depois da destituição do seu antecessor, o islamista Mohamed Morsi, da
Irmandade Muçulmana, há mais de dois anos.
O único desafio deste escrutínio, que se vai arrastar ao
longo de um mês e meio, será o nível da participação eleitoral. Segundo os
analistas, a maior ou menor abstenção permitirá saber se a grande popularidade,
o quase culto da personalidade, de que goza o ex-chefe do Exército vai ser
confirmada nas urnas.
“Este vai ser o Parlamento do Presidente”, diz, sem
ambiguidade, Hazem Hosny, professor de ciências políticas da Universidade do
Cairo.
Depois de ter erradicado da cena política a Irmandade
Muçulmana, principal força da oposição ao diferentes poderes saídos do Exército
ao longo de mais de 80 anos, o novo regime proíbe e reprime violentamente todas
as manifestação da oposição laica e liberal, tento ordenado a prisão das
principais figuras da juventude que liderou a revolta que em 2011 levou à queda
de Hosni Mubarak.
Daí que, na ausência da oposição (interdita, reprimida ou
com medo de represálias), nos boletins de voto só existam nomes de candidatos
que apoiam Sissi.
As legislativas, as primeiras desde a dissolução em Junho
de 2012 do Parlamento dominado pela Irmandade Muçulmana, acontecem num clima de
quase-indiferença, com uma maioria dos egípcios aliviados por o país voltar a
ser governado por “um homem forte” depois dos três anos de caos após a revolução.
“Os egípcios perderam todo o interesse por este
escrutínio”, diz o politólogo Hazem Hosny, que prevê uma taxa de abstenção
elevada.
“Ninguém conhece os candidatos”, queixa-se Islam Ahmed,
um contabilista de 32 anos, que passa à frente da assembleia de voto de Haram.
Ele não vai votar e explica porquê: “Este Parlamento vai ser fraco e inútil, só
serve para dizer que fizemos umas legislativas.”
Quem votou foi Bouthaina Shehata, um homem de 66 anos: “Sissi é a nossa alma, a nossa luz. Sem ele, seríamos todos
migrantes como aqueles dos países à nossa volta.”
A votação, para eleger 596 deputados, começou domingo e vai
prosseguir esta segunda-feira em 14 das 27 províncias do país. A segunda etapa,
nas restantes 13 províncias realiza-se a 22 e 23 de Novembro próximo.
Uma segunda volta está prevista para os dias 31 de
Novembro, 1 e 2 de Dezembro e os resultados serão conhecidos dois dias depois.
Fonte: Público
